A ideia de levar em conta a máxima que diz “na natureza nada se perde, tudo se transforma” levou um grupo de mulheres agricultoras a ter um novo olhar a partir da possibilidade de responder ao desafio do desperdício de alimentos (frutas) e criar alternativa de trabalho, geração de renda e comercialização de produtos. Isso se deu na comunidade de São João Bosco, em Poço Dantas – PB: um grupo de mulheres que hoje se beneficia do aproveitamento das frutas típicas do semiárido paraibano.

“Estava sendo perdido o caju, a goiaba, manga. Por causa disso, nos juntamos e decidimos fazer a polpa do caju, que era a fruta mais desperdiçada. Quando nós decidimos nos juntar, procuramos o pessoal do Projeto Raízes pra eles nos organizarem”, disse a agricultora Maria Nilse Oliveira Bezerra, 52 anos, uma das mulheres empreendedoras.

Através de uma parceria com a prefeitura do município, que já fazia capacitações com os moradores, o Projeto Raízes, que é desenvolvido pela Cáritas Brasileira Nordeste 2, ajudou a fortalecer a iniciativa, acompanhando e realizando seminários de Agroecologia, economia solidária e comercialização, além das capacitações sobre Fundos Rotativos Solidários.

Aos poucos, as mulheres conquistam espaço e autonomia financeira, comercializando a produção para o Programa Nacional de Aquisição de Alimentos – PNAE e Compra Direta. Os produtos estão sendo utilizados na merenda escolar da creche local, para alimentação de crianças e adolescentes no PETI e em hospitais do município.

A agricultora Maria Nilse Oliveira Bezerra é uma das mulheres empreendedoras.

A agricultora Maria Nilse conta que o lucro com as vendas das polpas e dos doces é de praticamente 100%, já que as frutas são retiradas do seu próprio sítio e toda a família ajuda na produção. A dificuldade agora é que, como elas trabalham de forma organizada, porém, ainda artesanal, não estão conseguindo suprir a procura pelos produtos, que tem sido muito grande. Os esforços agora estão voltados para a aquisição de um maquinário maior que venha a supri esta necessidade. Esta máquina tem um valor em torno de R$ 600 e R$ 700, e existe a possibilidade deste grupo recorrer ao Fundo Rotativo Solidário da comunidade para empréstimo e devolução. Futuramente elas já pensam no próximo passo: a formalização do grupo de mulheres agricultoras em associação, para a construção de uma fábrica de polpas e doces de frutas. “O meu sonho é ver essa fábrica funcionando e eu tenho fé em Deus que eu vou ver”, compartilhou a agricultora Maria Nilse.

Iniciativa: com a implantação do Projeto Raízes em 2008, a Cáritas se propôs executar ações integradas com famílias, associações e organizações rurais para promover melhores condições de vida na região do semiárido e assim tornar possível a permanência de homens e mulheres naquele local.

Na primeira etapa do Projeto, foram feitas diversas intervenções diretas, entre elas: a construção de obras hídricas, a criação de núcleos produtivos, a capacitação de lideranças comunitárias e a atuação em políticas públicas. Em seguida, as famílias beneficiárias foram acompanhadas e capacitadas em diversas áreas de atuação.

O Banco do Nordeste do Brasil (BNB), executando seu papel social, aderiu à iniciativa (que vinha sendo acompanhada há quatro anos pela cooperação espanhola Manos Unidas), e nos últimos dois anos, contribui com o apoio de recursos financeiros para junto com a Cáritas e agentes locais, fortalecer as mudanças que estão acontecendo no semiárido.

O apoio do BNB determinou a continuidade das ações, com foco exclusivo, no monitoramento e formação realizados nos municípios da Paraíba: Casserengue, Cacimbas e Poço Dantas.

por Kilma Ferreira e Manuela Paixão – Assessoria de Comunicação

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