A partir das descobertas sobre o mundo da fotografia, 11 adolescentes e jovens com idade entre 13 e 26 anos, de comunidades carentes dos estados de Pernambuco e Paraíba, estão sendo estimulados a ter um olhar diferente sobre o cotidiano das comunidades onde moram. Isto é possível por meio do projeto “Protagonismo Infanto-Juvenil na América Latina: redução da violência através do protagonismo infanto-juvenil no contexto comunitário”, que vem promovendo oficinas de formação em foto-comunicação.

O Projeto é desenvolvido por uma cooperação de várias organizações sociais que atuam na região Nordeste, entre elas: a Cáritas Alemã, Cáritas Brasileira Regional NE2, Serviço Pastoral do Migrante no Nordeste (SPM/NE), Grupo AdoleScER, Coletivo Força Tururu e Coletivo Mulher Vida. As ações desse Projeto contam com recursos do Ministério Federal Alemão de Cooperação e Desenvolvimento (BMZ).

A iniciativa aposta no empoderamento de adolescentes e jovens, como força transformadora em suas próprias comunidades. De novembro de 2012 a janeiro de 2013, o Projeto realizou o primeiro ciclo de formação em foto-comunicação. As oficinas contaram com a participação do fotógrafo e pedagogo de mídia, o alemão Marco Keller.

Para o representante da Cáritas Alemã para projetos no Brasil, Joachim Merklein, a dimensão internacional nesta construção de saberes visou também – especialmente num país que se prepara para ser palco de grandes eventos – descobrir e experimentar uma forma de comunicação respeitosa e desenvolvida na lógica do protagonismo juvenil. “Escolhemos trabalhar com a imagem que é uma linguagem forte e permite várias interpretações”, disse.

Reunindo teoria e prática, o processo de formação transmitiu conhecimento relacionado à fotografia, estimulando o olhar crítico dos jovens para uma percepção diferente do habitual, com o objetivo de promover o protagonismo juvenil. A proposta é que as organizações participantes do Projeto continuem trocando experiências e multipliquem a formação. Cada organização recebeu uma câmera fotográfica profissional para auxiliar nas aulas práticas.

“Durante as oficinas foi possível perceber que os jovens estão assumindo um espaço e querendo falar sobre o que normalmente é visto de forma negativa, ou seja, suas próprias comunidades”, comentou Merklein.

Exposição: No mês de fevereiro, os 11 adolescentes e jovens tiveram a oportunidade de expor para a sociedade o trabalho produzido durante as oficinas. O grupo participou da exposição fotográfica “Olhares em Transformação: minha, sua, nossa comunidade”, que aconteceu na Biblioteca Pública Municipal de Olinda, em Pernambuco.

Ao todo foram expostas 44 fotografias, que, além de apresentar uma qualidade técnica, também retrataram o olhar desses jovens para a comunidade onde vivem. A proposta é evidenciar através das fotos aspectos do cotidiano das comunidades, que muitas vezes passam despercebidos. Os jovens fotógrafos são moradores de cinco comunidades: Santo Amaro, Santa Tereza, Roda de Fogo e Tururu, nas cidades de Recife e Paulista (PE), e Mário Andreazza, em Bayeux (PB).

Para Carmeirindo João Neto, 26 anos, a formação em foto-comunicação trouxe uma série de conhecimentos sobre o universo da fotografia, bem como proporcionou uma mudança significativa na forma de olhar o mundo. Neto já participa de um grupo de jovens que desenvolve um trabalho com comunicação impressa (jornal comunitário) e visual (documentários) na comunidade Tururu.

“ A partir da fotografia percebi vários problemas na minha comunidade. Por exemplo, a grande quantidade de lixo espalhado pelas ruas, esquinas e praças. Esse é um problema antigo que faz parte do cotidiano dos moradores, mas eu ainda não tinha percebido,”explicou.

A adolescente Nathália José Florêncio, 15 anos, de Santo Amaro, destaca que hoje ela consegue ter um olhar mais crítico em relação aos problemas existes no lugar onde mora. De acordo com a adolescente, participar da exposição foi muito gratificante. “É uma oportunidade de mostrar para outras pessoas os pontos positivos e negativos da minha comunidade”, disse.

O fotógrafo Marco Keller faz uma avaliação positiva sobre a participação e desempenho dos jovens. Ele ainda explica que, apesar da maioria ter nascido nessas comunidades e até hoje conviver com uma série de problemas (lixo, drogas, alcoolismo, gravidez precoce), muitos não fazem nenhum tipo de questionamento sobre essa realidade.

“É como se as dificuldades já fizessem parte do cotidiano dessas pessoas. Mas é muito importante perceber que quando a máquina fotográfica chega às mãos desses jovens, há uma mudança rápida de comportamento e visão. Eles passam a refletir sobre o problema, e agora sabem que podem usar a fotografia como ferramenta para mostrar a pessoas de vários lugares e culturas diferentes o que de fato acontece no seu bairro”, disse.

Por Kilma Ferreira – Assessoria de Comunicação

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