“Dai-lhes vós mesmo de comer” (lc, 9,13)

 

Reunida em sua Assembleia Trimestral de Pastoral, nos dias 08 e 09 março de 2013, a Diocese de Patos, representada por suas forças vivas: bispo, padres, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas, pastorais e movimentos, atenta aos sinais dos tempos e fiel ao Evangelho de Jesus Cristo, decidiu posicionar-se de forma profética e colaborativa, sobre o atual momento de grave estiagem que traz sofrimento e dificuldades a milhares de famílias dessa porção do Povo de Deus do Sertão Paraibano.

Constata-se inicialmente, que embora sendo a seca um fenômeno próprio das regiões semiáridas, previsível e secular, a sociedade em geral e o estado brasileiro em particular, ainda não foram suficientemente capazes de implementar políticas e ações que permitam às populações e comunidades conviver dignamente com essa realidade.

Constata-se ainda, que a seca não é só um fenômeno climático (falta ou escassez de chuvas). Ela tem também o seu componente político (a falta de vontade em implementar políticas emancipatórias). Manter a seca sem o enfrentamento adequado, gera populações fragilizadas e dependentes, a pedir esmolas e mendigar oportunidades, como bem lembrava o nosso Saudoso Luiz Gonzaga. Esse ambiente de fragilidades nega a cidadania das pessoas, em favor da perpetuação no poder de grupos poderosos.

Ao longo das diversas secas já vivenciadas, a Igreja no Brasil tem dado efetiva contribuição e demonstração de solidariedade como inúmeras campanhas para a arrecadação e distribuição de alimentos. Foi também a Igreja que provocou a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a SUDENE, não assumida como devia pelos poderes públicos.

A Igreja reconhece também que nos últimos anos, o Estado Brasileiro, sobretudo no âmbito federal, tem implementado políticas públicas que amenizam os sofrimentos das pessoas. O povo nordestino sertanejo tem a urgente necessidade de aprender a conviver com a realidade semiárida, ao invés de alimentar os antigos discursos de Combate à Seca.

Diante do Quadro Atual da Seca e à Luz do que já foi Semeado na Caminhada, Propomos enquanto Igreja Particular de Patos:

1. Que alimentados pela palavra, pela eucaristia e pelo testemunho de Jesus Cristo, participemos da grande mudança que sonhamos, começando por cada um de nós, pelos pequenos gestos pessoais, retirando da nossa prática diária todo e qualquer tipo de consumismo e desperdício (água, alimento, energia…);

2. Que de forma organizada e consciente, possamos apoiar e fortalecer a atuação em todos os espaços legítimos de proposição de Políticas Públicas e Controle Social, a exemplo dos Conselhos Paritários, Audiências Públicas, Fóruns, Redes Temáticas que apresentem propostas concretas e não apenas fiquem nos discursos elaborados;

3. Que façamos um grande fórum nos âmbitos municipal, estadual e federal, para cobrar políticas emergenciais, educativas e estruturantes, capazes de superar dificuldades momentâneas como as atuais e, sobretudo políticas permanentes que nos ajudem a viver com dignidade no semiárido, seja em tempo de bonança ou mesmo quando as novas secas voltarem;

Certos de que estamos defendo e acolhendo os servos sofredores do nosso sertão, carentes de água e comida e apoiados no Cristo, profeta dos profetas, façamos este grande mutirão de solidariedade.

Que o Deus da esperança nos cumule com a bênção das chuvas!

Patos, PB.

Na Páscoa de 2013

 

Dom Eraldo Bispo da Silva

Bispo da Diocese de Patos – Paraíba

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