De um lado, agricultores familiares que perderam seus animais e sua produção durante o todo o período da seca no estado; do outro, trabalhadores rurais assalariados que estão sofrendo com a crise do setor sucroalcooleiro e com os insuficientes investimentos na diversificação da produção na Zona da Mata. Essas são as pessoas que estarão marchando, hoje, por algumas das principais ruas do Centro do Recife, durante o Grito da Terra Pernambuco 2013. A mobilização, que é organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape), cobra do Estado respostas para a pauta com 56 itens entregue, no último dia 15, ao governador Eduardo Campos.

Para o “Grito”, caravanas foram organizadas em dezenas de municípios da Mata, Agreste e Sertão. Durante a mobilização, por meio de panfletos, faixas e falas em um trio elétrico e um carro de som, os participantes reivindicarão que o campo seja incluído no processo de desenvolvimento do estado. Em diálogo com a sociedade, os trabalhadores pretendem mostrar que estão reivindicando ações que respondam a situações emergenciais vivenciadas pelas regiões, mas também políticas públicas estruturadoras. O que se quer é assegurar a permanência, de forma digna, de homens e mulheres no campo.

Para fortalecer o Grito da Terra Pernambuco e aproveitando o fato de que a mobilização acontece na véspera do Dia do Trabalhador, o Movimento Sindical Urbano, puxado pela CUT, também deve participar da caminhada, envolvendo profissionais de instituições públicas e privadas.

A concentração acontecerá às 12h, em frente à sede da Fetape, na rua Gervásio Pires. De lá, os participantes seguirão, pela Conde da Boa Vista, até a rua da Aurora, em frente da Assembleia Legislativa, local em que o Governo se comprometeu a dar respostas para as 14 questões centrais da pauta. Os demais itens do documento, de acordo com informações repassadas à Federação, durante uma reunião com secretários de Estado, serão tratados na primeira quinzena de maio, numa agenda entre o Movimento Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) e diferentes secretarias.

A pauta do Grito da Terra Pernambuco foi construída pelo Movimento Sindical Rural, juntamente com outros movimentos e organizações da sociedade civil que atuam no campo. Entre as reivindicações estão, a criação da Secretaria de Agricultura Familiar do Estado (hoje ela é uma secretaria executiva); a implementação da Política Estadual de Convivência com o Semiárido; a criação e implementação de um Plano de Reestruturação Produtiva para a Zona da Mata; a ampliação de carros-pipas e do volume de alimentos para os animais, de forma a atender todas as comunidades rurais do Semiárido; e a manutenção do Programa Chapéu de Palha Estiagem para agricultores (as) familiares dos municípios que decretaram Estado de Emergência, durante todo o período de seca.

Por Ana Célia Floriano – Assessoria de Comunicação da Fetape

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