Com o intuito de traçar novos caminhos pela permanência e convivência do homem e da mulher no semiárido, o Projeto Raízes contou com a participação da juventude. Foram selecionados 18 jovens, filhos e filhas de agricultores e agricultoras, dedicados à terra (agricultura) e a escola (educação), criativos e sonhadores por natureza, os chamados Agente de Desenvolvimento Local (ADL), para contribuir com a construção do novo modelo de desenvolvimento sustentável e solidário, atendendo as necessidades rurais.

O jovem ADL é um ator social capacitado para atuar no desenvolvimento local e no acompanhamento às famílias. Através do Projeto Raízes, esses jovens são descobertos e revelam um potencial humano e social que integra as comunidades rurais. São pessoas abertas a novos aprendizados e sensíveis aos desafios do campo.

O município de Cacimbas-PB, foi uma das cidades beneficiadas pela iniciativa do Projeto Raízes. Naquela localidade, já existia uma organização chamada Central das Associações Comunitárias do Município de Cacimbas e Região (CAMEC), constituída por 15 associações, cujo objetivo é articular e mobilizar as comunidades rurais e os agricultores e agricultoras para o fortalecimento da organização comunitária.

O Projeto Raízes fortaleceu e ampliou a diversidade de ações que a CAMEC já desenvolvia no município. Entre estas, as diversas capacitações de produção e geração de renda, voltada para a valorização da produção nos pequenos e diversos espaços dos quintais e/ou redor de casa: frutas, verduras orgânicas, plantas medicinais e criação de pequenos animais.

Além disso, houve uma maior participação da juventude no associativismo e na organização comunitária, através dos agentes de desenvolvimento local do Projeto Raízes. “O protagonismo da juventude dentro do associativismo aqui no município de Cacimbas trouxe resultados muito positivos”, destacou Gilberto Nunes de Souza, presidente da CAMEC.

Os resultados e impactos apresentados revelam o potencial do trabalho da Juventude: jovens abertos a aprendizagem e a troca de saberes; a ocupação em espaços políticos, acesso as faculdades, novas perspectivas de trabalho. Eles se tornaram verdadeiros exemplos dentro da comunidade, mediante a formação política e capacidade de se organizarem para lutar por seus direitos, diminuindo assim o êxodo rural.

O jovem Aldair dos Santos Gomes, 22 anos, é ADL desde 2008. Para ele, a participação no projeto proporcionou um crescimento pessoal e profissional. “Eu era um jovem totalmente alheio a toda esta discussão que se dava na comunidade, pois só estudava e não me sentia atraído a participar dos debates”, disse o agente, que hoje cursa licenciatura em Biologia. Ele também participa da coordenação do conselho municipal dos Fundos Rotativos Solidários, em Cacimbas; é presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e membro da Comissão Comunitária de Fundos Rotativos Solidários de Monteiro.

 Como tudo que é novo entusiasma e assusta os Agentes de Desenvolvimento Local (ADL) enfrentaram um pouco de dificuldades e grande resistência das famílias das comunidades, no início do projeto. A agente Claliane dos Santos Silva, 22 anos, explicou que a formação foi um processo longo e aconteceu através de reuniões e encontros nas associações e visitas de intercâmbio. “No inicio a gente pra conseguir a credibilidade das famílias, teve que mostrar trabalho, mostrar serviço na construção das cisternas, na organização dos quintais produtivos em que muitas famílias foram beneficiadas”, contou.

Para apresentar a proposta do Projeto Raízes, os agentes de desenvolvimento local usaram uma estratégia. “Nós não fomos diretamente às famílias. Apresentamos primeiro, nas reuniões mensais das centrais das associações (CAMEC) do município de Cacimbas, aonde se chegou a um consenso sobre a escolha das comunidades que seriam beneficiadas. Depois da seleção, nós partimos em campo para identificar a aptidão de cada família, levando em consideração o que cada uma já fazia ou sabia fazer de melhor. Valorizamos o que a família tinha vontade de fazer e produzir”, explicou Claliane Silva, que hoje é formada em Pedagogia e faz especialização em Educação Ambiental.

No município de Poço Dantas-PB, a agente de desenvolvimento local Maria Aparecida, ajuda na articulação do projeto e conta que hoje em dia as pessoas da comunidade lhe vêem de forma diferente por acreditarem na proposta do Projeto Raízes. “Elas me procuram para saber algumas informações e projetos para a comunidade. Hoje, elas se tornaram pessoas que são muito receptivas e aderem bem a iniciativa”, disse.

Experiência: O Projeto Raízes é uma parceria da Cáritas com a Organização espanhola Manos Unidas e o Banco do Nordeste (BNB),  e tem como objetivo promover a melhoria das condições de vida na região semiárida, através da ampliação do acesso à água e do aprimoramento dos modos de produção agrícola, além do fortalecimento da organização social e da atuação da população no controle das políticas Públicas.

 por Manuela Paixão e Danúsia Dias | Jornalistas – Assessoria de Comunicação Cáritas NE2

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