Uma parceria entre a Cáritas Brasileira Regional NE2 e o Comitê Betinho tem somado esforços para a consolidação de um direito humano básico, o acesso à água de boa qualidade, seja para o consumo humano ou para produção. Como resultado dessa parceria, no último domingo (10/11), a comunidade Cajazeiras no município de Pedra, na região do Agreste de Pernambuco foi beneficiada com a construção de 10 cisternas de placas para captação de água da chuva.

As cisternas são tecnologias sociais de baixo custo que fortalecem ações para construção de um novo paradigma que é a convivência com o Semiárido e não mais o combate à seca.

O recurso arrecadado para construção das cisternas é oriundo de doações de funcionários de instituições bancárias do país, além de parceiros que contribuem financeiramente para melhor as condições de vida de pessoas em situação de exclusão social.

As 32 famílias que compõem a comunidade Cajazeiras são constituídas, principalmente por mulheres e crianças que moram na beira da estrada. Em sua maioria são mulheres, cujos maridos trabalham com o “alugado” – serviços temporários – em propriedades de fazendeiros.

De acordo com o secretário da Cáritas Regional NE2, Pe. Jandeilson Rodrigues, a grande dificuldade da comunidade é o acesso à água. Segundo ele, os moradores utilizavam uma água salobra de um rio que passa próximo da comunidade.

“As famílias não tinham acesso à água de qualidade e quando necessitavam dela para beber ou cozinhar precisava caminhar cerca de 5 km até um povoado vizinho ou pagar cerca de R$ 0,50 centavos por cada garrafa de água com 10 litros”, explicou.

Cada cisterna construída na comunidade Cajazeiras tem capacidade para armazenar 16 mil litros de água para beber e para uso doméstico. A tecnologia social é um reservatório que armazena águas das chuvas por meio de calhas colocadas nos telhados das casas. Cada uma atende a uma família com cinco pessoas por oito meses e custa R$ 1.600 a unidade.

“O sentimento é de muita alegria por parte das famílias que agora possuem uma cisterna em casa. Mesmo ainda não tendo água da chuva para armazenar, mas as famílias já podem acumular água que recebem dos carros-pipa”, disse Pe. Jandeilson.

A cerimônia de inauguração das cisternas contou com a participação de agentes Cáritas NE2, representantes do Comitê Betinho e bancários de Pernambuco. Na oportunidade, o grupo visitou as famílias e aproveitou para conhecer as obras hídricas e o trabalho que foi realizado. Em seguida, houve um momento onde os moradores mais antigos da comunidade relataram sobre os problemas e dificuldades enfrentados pelas famílias para ter acesso à água. Já as famílias contempladas lembraram dos benefícios que as cisternas têm trazido já nos primeiros dias de uso.

O encerramento da cerimônia foi marcado por um clima festivo, de união e partilha de alimentos. Na ocasião, a comunidade ofereceu um almoço comunitário onde o prato principal foi uma galinhada, servida com xerém, além de outras comidas típicas da região.

Iniciativa: É importante destacar que a construção das cisternas é uma iniciativa do projeto “100 cisternas no centenário de Dom Helder”, promovido pela Cáritas NE2. No ano de 2009, visando homenagear Dom Helder Câmara, a Cáritas se propôs angariar recursos para a construção de 100 cisternas de placas, numa parceria entre instituições de ensino e organizações parceiras. O numero 100, de forma simbólica, reverencia ao centenário de nascimento do eterno Dom – Profeta do Amor e do Escutar os clamores do povo que sofre.

A centésima cisterna do projeto foi construída na comunidade quilombola Guaxinim, no município de Cacimbinhas (AL), na última terça-feira (12).

Por Kilma Ferreira | Assessoria de Comunicação da Cáritas NE2

No related posts.