“Principais aprendizados são o empoderamento das famílias, a participação cidadã e o desenho do projeto”, diz governo paraguaio ao visitar experiências da ASA

O ministro de Emergência Nacional do Paraguai, Joaquim Roa, e uma delegação do ministério paraguaio visitaram e trocaram experiências de convivência com o Semiárido com famílias agricultoras na comunidade de Cafundó, município de Buíque, no Agreste de Pernambuco. O intercâmbio aconteceu neste mês de janeiro graças a iniciativa da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), Diocese de Pesqueira e Fundação AVINA.

Na visita, o ministro conheceu algumas tecnologias sociais de convivência com o Semiárido desenvolvidas pela ASA, como as cisternas de placas de 16 mil litros d’água, cisterna calçadão de 52 mil litros, barragem subterrânea e bomba d’água popular. Na ocasião, Joaquim Roa concedeu um entrevista à Cáritas Diocesana de Pesqueira, confira:

Cáritas: Quais percepções sobre as experiências visitadas de convivência com o Semiárido?

Joaquim Roa – Estou muito impressionado com o empoderamento das famílias em relação ao projeto. Algo muito difícil da gente conseguir isso com as comunidades lá no Paraguai. Tivemos oportunidade de conversar com as famílias agricultoras beneficiadas. As tecnologias sociais são fáceis de copiar, podemos levar sem problema nenhum. O processo, a participação e o empoderamento dos atores sociais são importantes. A participação cidadã dar um realce único ao projeto. Vamos replicar o projeto, mas queremos saber tudo, principalmente o componente social, onde está o êxito do projeto. Vimos as pessoas terem acesso à agua. A parceria da ASA, Fundação AVINA e Governos é um exemplo para nós replicarmos no Paraguai. Vamos fazer o impossível para replicar essa proposta numa região de lá, que chamamos de Chaco Paraguaio, onde entra ano e sai ano e é afetado pela ausência da água. E o que mais me chamou à atenção também foi a expressão “convivência” com a seca. É isso aí que temos que apontar como Governo, com estratégias e com políticas locais envolvendo a sociedade civil e os governos locais e melhorando a vida das famílias que vivem em comunidades carentes de água.

Cáritas: No Paraguai, há a regiãodo Chaco. Quais as relações e convergências dessa região com o Semiárido brasileiro?

Joaquim – Eu estou surpreendido, porque as semelhanças são quase as mesmas, exceto pela topografia. Já no Chaco temos apenas 3% de terreno plano, diferente no Semiárido que tem uma topografia diferente. Mas, as necessidades são as mesmas. A ausência de água é igual. Temos população também no Chaco. Então, todas as variáveis são iguais. Isso nos indica que facilmente, trabalhando e com a cooperação levando a experiência daqui (do Semiárido) vamos vencer a seca no Paraguai.

Cáritas: Especificamente em Pernambuco, as ações de convivência tornaram-se políticas e programa de Estado. Esse seria também o caminho para o Governo Paraguaio?

Joaquim – Acho que sim. O povo sem políticas públicas não tem jeito. Não tem direcionamento, não tem estratégia nenhuma. Vamos apontar para isso, que sejam transformadas em políticas públicas partindo de baixo para cima. Que essas políticas virem também políticas de Estado finalmente.

Cáritas: Quais as lições e aprendizagens dessas experiências que o senhor leva para o Paraguai?

Joaquim – São muitas. Mas, os principais aprendizados são o empoderamento das famílias, a participação cidadãe o desenho do projeto, de baixo para cima. É isso que temos que ter em conta: o envolvimento dos líderes. É esse desenho que temos que ter como Governo. Osdesenhos dos projetos devem vir da comunidade para cima. São eles (os agricultores) que conhecem tanto as necessidades como as tecnologias apropriadas para eles. Então, não precisamos inventar a pólvora. Falei com as famílias agricultoras e aprendi muito com elas. Estamos voltando com ideia de conversar com todos os prefeitos da região do Chaco Paraguaio e até, inclusive, com o governador e levar o desenho do projeto, e eles verem o êxito do projeto. É isso que estou levando: um grande aprendizado.

por Daniel Ferreira | Jornalista Cáritas Diocesana de Pesqueira

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