O “Colombianito Cone Sul”, seminário preparatório ao XVIII Congresso Latino Americano e Caribenho da Cáritas iniciou na manhã de ontem (27), em Recife, Pernambuco, em uma cerimônia marcada por uma celebração eucarística e momentos de reflexões sobre a fome e pobreza na América Latina. O encontro segue até amanhã (29), no auditório do SINDSPREV-PE, com debates, grupos de trabalho e troca de experiências entre os países.

O evento, que reúne representantes da entidade no Brasil, da Argentina, do Chile, do Paraguai e do Uruguai, países que compõem a Zona Cone Sul da Rede Cáritas na América Latina e Caribe, tem como proposta responder ao desafio da Rede Cáritas na região em viver com entusiasmo e alegria o Evangelho da fraternidade e da justiça no tempo atual.

A abertura do seminário ficou por conta da mesa “A realidade política e social da América Latina e da Igreja”, com os debatedores dom José Luis Azuaje Ayala, da Venezuela e presidente da Cáritas da América Latina e Caribe; Paulo Henrique Martins, pós doutor em Sociologia e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Alder Júlio Calado, doutor em Antropologia e sociologia Política. O debate foi conduzido por Ângelo Zanré, secretário da Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2.

Para facilitar a construção da reflexão sobre o tema da conjuntura social e política na América Latina, Paulo Henrique Martins, fez sua reflexão com foco em dois planos: o primeiro diz respeito a algumas informações sobre o desenvolvimento de um pensamento critico e prático na América Latina. Segundo ele, a ideia de se desenvolver para promover democracia, bem estar e segurança social é uma utopia que marca as mudanças da região há várias décadas.

Ainda de acordo com Martins, a retomada de alguns movimentos contribuem para o enfrentamento das elites, desconstruindo, dessa forma, a soberania do processo de exploração, que é exercido sobre as classes menos favorecidas. A partir dessa ressignificação de sentidos são ressaltadas outras possibilidades, como por exemplo, a economia solidária, a consciência dos direitos humanos, o respeito aos direitos coletivos como prioridade, entre outros.

Na ocasião, Alder Júlio Calado, abordou as dimensões que são patrimônios da humanidade: esperança, memória histórica, e a utopia. Entre as dimensões ele destaca a esperança, como “um novo mundo possível e necessário”. De acordo com ele, é a esperança que fortalece as lutas presentes no dia a dia, bem como fortalece a necessidade de lutar por um mundo em que todos sejam respeitados em sua dignidade.

“Os caminhos percorridos para animar a esperança têm sido frustrados e frustrantes. Muitos desses caminhos foram interditados pelos grandes projetos. Há fragilidades por parte dos Estados em responder as necessidades, como por exemplo, as manifestações de rua. Ou seja, o Estado não é capaz de responder as aspirações dos povos dos diversos países”. Calado complementa, “mas é a esperança que nos sustenta, sobretudo, frente às realidades políticas, econômicas e culturais”.

De acordo com a análise de conjuntura feita por dom José Luis Ayala, uma série de elementos percebidos por ele merece destaque, entre eles: a retomada da opção pelos pobres; a busca de uma Igreja com o rosto feminino marcado pela presença e participação das mulheres, tornando-a sensível e materna; bem como uma maior consciência pastoral sobre a ecologia e preservação do meio ambiente.

por Kilma Ferreira | Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira Regional NE2

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