O segundo dia do Colombianito Cone Sul, evento preparatório para o XVII Congresso Latino Americano e Caribenho da Cáritas, contou com uma exposição intitulada “Desenvolvimento, segurança alimentar e pobreza: um olhar para a América Latina”. O evento, que é realizado no auditório do Sindsprev, em Recife (PE), teve início no último domingo (27) e segue até a próxima terça-feira (29).

A mesa foi mediada pela presidente da Cáritas Brasileira, Anadete Reis, e teve as contribuições do membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Írio Luiz Conti, e do assessor técnico da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, Márcio Camargo.

No primeiro painel, a realidade de fome e má nutrição existente no mundo aparece como um contraponto ao sobrepeso e à obesidade, que, atualmente, são consideradas como problemas de saúde pública. De acordo com Conti, programas de transferência de rendas não estão dentro das políticas estruturais de superação da fome, mas servem como ações emergenciais.

Durante a apresentação, Conti destacou ainda os desafios lançados para a superação da fome. No âmbito produtivo, o acesso à água, aos recursos de trabalho, o enfrentamento aos transgênicos e o combate ao uso de agrotóxicos e desperdício de alimentos são pontos fundamentais para que esta realidade seja modificada. Por sua vez, na esfera social, aparecem a redução da desigualdade e a oferta de empregos como fatores de ação para enfrentar a fome.

Além disso, ele propõe que haja uma nova postura, com novos olhares e pensamentos sobre todos e todas que se encontram na linha de fome. “A pobreza não é natural, ela é produzida. Os pobres não são objetos de caridade, são sujeitos que têm direitos, são cidadãos”, completou.

O segundo painel levou os participantes a refletirem o tipo de desenvolvimento que se tem e o modelo a ser alcançado. De acordo com Camargo, o contexto atual está voltado para a concentração de renda. “O crescimento econômico não pode ser a nossa única concepção de desenvolvimento”, afirmou o assessor, que acredita que para se tê-lo, é necessário que sejam compreendidas as dimensões social, cultural, política e ambiental.

“Queremos condições mais humanas. Elas são passos para que se obtenham o necessário e também a vitória sobre esses flagelos sociais, assim como a valorização e a dignidade, mas principalmente a cooperação para o bem comum”, finalizou.

 por Lidiane Santos | Comunicadora popular da Cáritas Brasileira Regional NE2

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