Todos os anos, os primeiros dias de junho são dedicados a celebrar a Semana do Meio Ambiente. Dia 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente e um dos assuntos que mais tem chamado a atenção em torno do tema são as mudanças climáticas que a cada dia estão mais presentes na vida das pessoas. Centenas de milhares no Brasil e no mundo já sofreram ou ainda sofrem graves consequências causadas por inundações, deslizamentos ou grandes períodos de estiagem.

 Aquecimento Global

Grande parte desses desastres socioambientais tem relação direta com o aquecimento global tão discutido nos últimos tempos por governos de diversos países. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas lançado com a denominação “Mudanças Climáticas 2014: impactos, adaptação e vulnerabilidade” confirmou projeções anteriores de que as mudanças climáticas em virtude do aquecimento antropogênico, ou seja, relacionados com a atividade humana, continuam aumentando. Em 2013, dados divulgados pelo Centro Americano de Controle da Atmosfera, apontaram emissão recorde de gás carbônico, atingindo em maio do mesmo ano, 400 partes por milhão.

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), elaborado por especialistas das ONU, afirma que são necessárias mais medidas para cortar as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento do planeta em 2ºC até 2100. Conforme os cientistas é preciso romper com os combustíveis fósseis poluentes e usar fontes mais limpas. Se as emissões continuarem como estão, a temperatura da Terra poderá aumentar entre 3,7ºC e 4,8ºC antes de 2100, atingindo assim um nível catastrófico.

Ações do homem

Ivo Poletto, do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social, afirma que as mudanças climáticas agravam os fenômenos que ele ironiza dizendo que, muitas vezes, são reportados como “naturais”. De acordo com ele, os fenômenos são, principalmente, causados por ações praticadas pelo homem. “Estudos concluem que os fenômenos são agravados e é produto de ações humanas que têm interferido em tudo que tem a ver com o clima. O aquecimento é global, mas os efeitos são desiguais. As populações mais empobrecidas são as que mais sofrem os impactos das mudanças climáticas”.

Segundo Poletto, a ação do homem interfere na composição atmosférica aumentando gravemente a emissão de gases. “Nosso planeta está entrando em outro ciclo de sua história, o antropogênico, fortemente marcado por ações humanas. Essa intervenção é tão grave que está determinando um novo clico da Terra”, alertou.

 Mudanças climáticas e produção de alimentos

Os desastres socioambientais estão diretamente relacionados com as mudanças climáticas. Além de agravar as situações de emergências, as mudanças climáticas afetam diretamente a produção de alimentos. Períodos de grandes estiagens, bem como de inundações refletem na qualidade e na quantidade da produção, por exemplo, refletindo na sustentabilidade alimentar das pessoas.

O conceito de soberania alimentar considera que para ser livre um povo precisa ser soberano e essa soberania passa, necessariamente, pela alimentação. Ser soberano significa produzir e comercializar comida localmente, vinculada a cultura e ao modo de vida da população, afastando a dependência que existe dos grandes mercados internacionais para alimentar o povo de um país. A soberania passa ainda pela saúde, com uma produção limpa, sem agrotóxicos ou veneno, e tem por objetivo o equilíbrio ambiental.

Segundo o ministro de Relações Exteriores, Milton Rondó, o conceito de soberania alimentar agrega a capacidade de cada país em garantir políticas públicas de alimentação. Rondó também é coordenador geral de ações internacionais de luta contra a fome.

“No Brasil três cadeias de supermercados controlam 70% da distribuição dos alimentos e para ter acesso a esse alimento a pessoas tem de ter uma renda mínima para comprá-lo. O problema da alimentação não é a quantidade, mas a distribuição, o acesso ao alimento”, afirmou o ministro. Ele lembrou que o país tem a sétima maior economia mundial, sendo um dos maiores produtores de alimentos, porém milhares de pessoas ainda passam fome.

Márcio Adriano, da Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais, destacou que a questão da alimentação, especialmente no Brasil, passa necessariamente por uma reforma política. “Nosso congresso é dominado por uma bancada ruralista que atende aos interesses do agronegócio. Não temos representação negra, feminina, campesina efetiva”, ressaltou. Nesta perspectiva, Rondó afirmou: “a fome não é algo natural, a fome é um problema político!”

Nesta perspectiva, a campanha mundial contra a fome, a pobreza e as desigualdades “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”, promovida pela Rede Cáritas em 150 países discute, principalmente, o direito à alimentação. O problema da alimentação não é a falta de comida no mundo, mas a distribuição, o acesso. Isso é uma questão de justiça social. Quando falamos de alimentação, não falamos somente do ato de comer, mas de todo o processo desde a produção, por exemplo”, destacou Adriana Oppromolla, da Caritas Internationalis.

 por Thays Puzzi, assessora de Comunicação da Cáritas Brasileira | Secretariado Nacional

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