O assassinato de três conselheiros tutelares e da avó de uma criança disputada por duas famílias, em Poção, no Agreste pernambucano, no último dia 06, chocou a população local.

 A Pastoral do Menor publicou nota em solidariedade às famílias das vítimas e à comunidade de Poção, localizada a 240 quilômetros do Recife .

 Confira a nota da Pastoral:

 NOTA PÚBLICA DA PASTORAL DO MENOR DO BRASIL  SOBRE O ASSASSINATO DOS CONSELHEIROS TUTELARES DO MUNICÍPIO DE POÇÃO (PE)

  Felizes os que são perseguidos por causa da Justiça

 Porque deles é o Reino dos Céus

 (Mt. 5,10)

A Pastoral do Menor do Brasil, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), após os assassinatos dos conselheiros tutelares do Poção e da senhora que com eles estava, declara sua solidariedade à comunidade do município, ao colegiado do Conselho Tutelar e, em especial às famílias das vítimas dessa tragédia que chocou o país e todos aqueles que lutam em prol dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes.

Necessárias reflexões surgem dessa tragédia. Em particular, se pensarmos que nesse ano de 2015 celebraremos os 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente e que no ano passado festejamos os 25 anos da Convenção Internacional dos Direitos da Criança. Nesse cenário, percebemos grandes avanços na garantia dos direitos de meninos e meninas, todavia grandes lacunas ainda convivem com todos nós no dia a dia dessa luta.

O Conselho Tutelar, criado pelo art.° 131 do ECA, sem dúvidas, é o órgão que mais padece quando os direitos de crianças e adolescentes são violados e quando as políticas de promoção e proteção são fracas e desarticuladas entre si. Dessa forma, a Pastoral do Menor do Brasil, além de repudiar qualquer tipo de violência contra a pessoa humana, aponta necessários caminhos para que ninguém mais, de nenhum órgão público ou privado sofra a mesma tragédia ocorrida em Poção:

Divulgar amplamente as atribuições do Conselho Tutelar, buscando quebrar a visão, ainda muito forte, de que os conselheiros são “comissários de menores” e não defensores dos direitos de crianças e adolescentes;

Realizar ações de formação integrada e não fragmentada de todas as redes de atendimento local buscando aprimorar o olhar dos atores do Sistema de Garantia dos Direitos, evitando que os conselheiros tutelares sejam vítimas de demandas equivocadas, sobretudo por parte do Sistema de Justiça e Segurança Pública;

Estruturar definitivamente e decentemente os Conselhos Tutelares, do ponto de vista estrutural e funcional, melhorando os atendimentos e, consequentemente, os encaminhamentos para os programas e projetos;

Garantir a proteção dos Conselheiros Tutelares sempre que for necessário para evitar tragédias “anunciadas”;

Fortalecer os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente em todos os níveis federativos garantindo sua função deliberativa, controladora e fortalecedora das políticas de atendimentos dos direitos de crianças e adolescentes e, em especial, de apoio total ao trabalho árduo dos conselheiros tutelares;

Criar pautas locais permanentes junto ao Poder Judiciário e Sistema de Segurança Pública buscando qualificar a relação entre essas e o Conselho Tutelar buscando alinhamentos institucionais necessários e evitando ações arbitrárias e equivocadas desses poderes.

A luta continua e mais quatro mártires entram na longa fila daqueles que perderam a vida em favor de uma sociedade que veja as crianças e adolescentes “como solução e não como problema” como sempre dizia Dom Luciano Mendes de Almeida, Bispo fundador da Pastoral do Menor. Mais uma vez renovamos nossos votos de profunda solidariedade a toda a comunidade de Poção e às famílias dos conselheiros e da senhora que também foi vítima e reafirmamos nosso repúdio contra qualquer ação ou omissão que viole direitos de crianças e adolescente e de todos aqueles que para eles lutam

Viva a vida e o ECA!

 

Dom Luiz GonzagaFechio – Bispo Referência Pastoral do Menor

 André Franzini –Coordenador Nacional da Pastoral do Menor

Belo Horizonte, 9 de fevereiro de 2015

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