As discussões sobre a violência e o bullying dentro da escola deixaram de ser temas de debates apenas na sala de aula e foram para as comunidades. Essa já é uma realidade vivenciada por alunos de duas escolas da Rede Pública de Ensino do Recife que participaram de uma formação sobre SIDIES – Sistema de Diagnóstico Estratégico. O evento reuniu cerca de 30 adolescentes e jovens no dia 03 de junho, no escritório da Cáritas Brasileira NE2, em Recife (PE), e é uma ação do projeto “Redução da Violência através do Protagonismo Juvenil no Espaço Escolar”.

O projeto, que é uma parceria da Cáritas Alemã com organizações não governamentais, atuantes nos estados de Pernambuco e da Paraíba, entre elas a Cáritas Brasileira NE2, através do PIAJ – Programa Infância, Adolescência e Juventude, prevê o desenvolvimento de um modelo de intervenção para o espaço escolar, em perspectiva de uma prática escolar-comunitária que seja capaz de construir respostas frente aos fatores geradores de violência e exclusão social.

De acordo com a educadora social do PIAJ, Bibiana Santana, esta formação teve como objetivo capacitar os jovens do projeto segundo a metodologia do SIDIES. Porém, todo conteúdo trabalhado foi adaptado à linguagem da juventude.

O SIDIES é uma ferramenta voltada à sistematização, análise da informação e elaboração de estratégias, a partir de um conjunto de passos organizados que se utiliza para desenvolver um diagnóstico comunitário pensado para produzir mudanças na comunidade.

“Este momento foi muito significativo e importante, pois vai contribuir, fundamentalmente, para construção do projeto de intervenção nas escolas. Além de proporcionar interação e discussão conjunta entre educadores e alunos. Esses jovens

Jovens participam de trabalho de grupos

serão multiplicadores e executores do projeto que, tem como proposta promover debates com temas relacionados à geração da violência”, explicou Bibiana Santana.

A adolescente Alessandra Lays da Silva, 15 anos, estudante da Escola Estadual Pedro Augusto Carneiro Leão, no bairro do Fundão, lembra que o tema da violência sempre foi algo muito forte e recorrente nas rodas de conversa dos jovens e, infelizmente, faz parte do cotidiano das comunidades e da escola. “Sinto-me muito bem quando os educadores do projeto estão aqui com a gente. Gosto de participar dos debates e acredito que tem ajudado muito a conscientizar os jovens sobre vários assuntos”, ressaltou.

Ainda segundo Alessandra, antes havia muito problema relacionado ao bullying entre os alunos. “Hoje as meninas têm consciência que este assunto machuca e causa dor nas pessoas, então muitas já chegaram até a pedir perdão uma para outra”, disse.

Hoje, o estudante Tales Anderson Ferreira Costa, 14 anos, da Escola Estadual São Francisco de Assis, no bairro do Arruda, consegue perceber uma mudança na sua vida tanto no contexto escolar quanto na comunidade. “A lição mais importante que aprendi com o projeto, é o respeito ao próximo, é o respeito à outra pessoa que, por exemplo, pode ser meu colega da sala de aula. É preciso respeitar as diferenças de cada um. Dessa forma já estamos contribuindo para reduzir a violência”, destacou.

O coordenador do PIAJ, André Tavares, que também facilitou a formação sobre SIDIES destaca que, há um roteiro de processos para a implementação da proposta de intervenção no espaço escolar que deve ser seguido, e está estruturado em quatro etapas, sendo elas: Aproximação com a Escola; Diagnóstico Estratégico; Implementação da Estratégia e Lições Aprendidas.

Encaminhamento

Como resultado concreto de uma das etapas deste processo de formação em SIDIES, os alunos definiram o tema central que norteará o projeto de intervenção nas duas escolas participantes. “Após várias reflexões, trabalhos em grupos e momentos de escutas em ambos os lados, ou seja, tanto com os jovens quanto com os educadores, as duas escolas chegaram ao consenso que a temática fundamental a ser trabalhada é a questão do bullying. Será construído um projeto de intervenção e depois apresentado a equipe gestora das escolas, e aplicado no espaço escolar pelos jovens”, explicou a educadora social do PIAJ, Andréa Maria de Oliveira.

por Kilma Ferreira | Assessoria de Comunicação da Cáritas Regional Nordeste 2

 

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