O Intercâmbio de Saberes, promovido em Campo Alegre (AL), entre os regionais Nordeste 2 e Norte 2, foi também uma oportunidade para discutir, na semana passada, a realidade de crianças, adolescentes e jovens dos territórios de abrangência da Cáritas Diocesana de Penedo, que sediou o evento, quanto das Cáritas Diocesana de Cametá, do Pará.

No encontro, do Programa Infância, Juventude e Adolescência (PIAJ), da Cáritas Brasileira, foram apresentadas ainda as experiências do programa e discutidas as ações do projetos que têm transformado as realidades vivenciadas nos regionais. O evento teve como tema “Compartilhar vivências para transformar” e, como lema, a passagem bíblica “E Ele crescia em estatura, sabedoria e graça” (Lc 2,52).

Para a pedagoga e coordenadora regional do PIAJ, Bibiana Santana, a essência do intercâmbio foi a troca de experiência. “O intercâmbio possibilitou-nos aprendizado, interação e identificação com o trabalho do outro. A proposta é unir forças para fortalecer esse trabalho de proteção à infância, adolescência e juventude, bem como fazer a diferença na vida desses protagonistas”, explicou.

Estavam presentes representantes do Secretariado Nacional da Cáritas, do Regional Ceará, dos Regionais NE2 E N2 e de suas respectivas entidades membros e organizações parceiras.

Conjunturas:

Uma das propostas do intercâmbio foi refletir sobre a realidade das crianças, adolescentes e jovens, a partir de exemplos concretos, ou seja, vivenciados no dia a dia das comunidades beneficiárias da atuação do PIAJ.

Na abertura, um dos participantes do intercâmbio, José Matias, da Cáritas Diocesana de Penedo, entidade membro que acolheu os intercambistas, fez uma análise de conjuntura sobre a atual realidade da juventude do Regional NE2, com enfoque no contexto alagoano.

Segundo dados do relatório “Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014” mostram que a população negra entre 12 anos e 29 anos é a principal vítima da violência. O estudo mostra que os estados onde o jovem negro corre mais risco de exposição à violência na Região Nordeste. Alagoas tem o maior coeficiente do Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) – Violência e Desigualdade Racial.

Essa análise de conjuntura abordou a realidade da juventude do Regional NE2, a partir de cinco dimensões: econômica, social, cultural, política e religiosa. “Atualmente, a juventude é a parcela mais afetada da sociedade. Nesse contexto, portanto, é que se percebe um protagonismo juvenil diante de tantos desafios, principalmente em relação àquelas questões mais graves, por exemplo, a violência”, disse José Matias. Ele ainda destacou que, ao mesmo tempo em que são protagonistas esses jovens, também são os mais vulneráveis.

A coordenadora do PIAJ no Regional Norte 2, Joênia Nunes, também compartilhou elementos relevantes da conjuntura local. Na ocasião, ela fez uma reflexão sobre os avanços e desafios enfrentados durante a realização das ações do PIAJ no município paraense de Cametá, por exemplo. Entre as principais ações estão atividades de enfretamento ao trabalho infantil e ao abuso e à exploração sexual contra crianças e adolescentes. “Cametá é a 3ª cidade do estado do Pará em trabalho infantil. Por falta de outra fonte de renda, então muitas famílias levam os filhos para a colheita do açaí”, explicou.

Para a coordenadora da Comissão de Justiça e Paz (CJP) do Regional Norte 2 da CNBB, Irmã Marie Henriqueta Cavalcante, o intercâmbio trouxe a experiência de pessoas que estão nas mais diferentes realidades no Norte e Nordeste. Para ela, são educadores (as), cuidadores (as) que desenvolvem um trabalho para um público em situação de vulnerabilidade e, que precisam de ações como as realizadas pelo PIAJ. “Violentar nossas crianças, adolescentes e jovens é matar o futuro. Contudo, prevenir esse público contra as mazelas é um bem enorme que podemos fazer”, disse.

Por Kilma Ferreira – Assessoria de Comunicação – Regional NE2

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