A Rede Cáritas Brasileira aprovou uma moção de apoio e solidariedade às famílias atingidas pelo desastre nas barragens de rejeitos localizadas no município de Mariana, Minas Gerais. A elaboração do documento foi proposta durante a XX Assembleia Nacional da Cáritas Brasileira, que se encerrou neste domingo (15).

O rompimento das barragens Santarém e Fundão, no Distrito de Bento Rodrigues, a 23 quilômetros da sede municipal de Mariana, ocorreu no último dia 5 de novembro. O distrito e, principalmente, o Rio Doce foram inundados com lama, rejeitos sólidos e água usada no processo de mineração, afetando todo o percurso do rio até o mar.

As barragens eram de responsabilidade da empresa mineradora Samarco, controlada pelas companhias Vale e BHP Billiton (esta, uma empresa australiana). O desastre já comprometeu o abastecimento de água de 17 municípios da região, atingindo cerca de 800 mil pessoas, e vem sendo considerado o pior em termos ambientais ocorrido até hoje no Brasil.

Leia abaixo o texto da moção na íntegra:

Moção de apoio e solidariedade às famílias atingidas pelo desastre criminoso no rompimento das barragens de rejeito em Mariana/MG

A Rede Cáritas Brasileira, composta por 192 entidades-membros, reunidas na XX Assembleia Nacional, em Brasília/DF, entre os dias 12 e 15 de novembro de 2015, vem manifestar seu apoio e solidariedade às famílias e comunidades atingidas pela catástrofe causada pelo rompimento das barragens Santarém e Fundão, no munícipio de Mariana – Minas Gerais, ocorrido no dia 5 de novembro deste ano, que já comprometeu o abastecimento de água de 17 municípios, atingindo 800 mil pessoas. E reivindicar e exigir, junto às empresas envolvidas e aos poderes públicos, que garantam e assegurem os direitos das famílias atingidas por esta catástrofe, com diligência e justiça.

Ao mesmo tempo, repudia e denuncia a irresponsabilidade e a negligência das companhias Vale e BHP Billiton (controladoras da mineradora Samarco), bem como das instituições públicas de controle, diante desta tragédia anunciada. Tal situação é fruto de um modelo de desenvolvimento que não privilegia as comunidades locais, constituindo-se em uma política de apropriação dos nossos territórios, de bens naturais, culturais e recursos hídricos por grandes grupos econômicos.

Este modelo, que tem como um de seus pilares a mineração, não está presente apenas em Mariana, mas sim em boa parte do território brasileiro, e vem provocando impactos violentos no cotidiano de povos, comunidades e territórios, gerando dor, tristeza e desolação. Entre estes impactos, estão as remoções forçadas de famílias e comunidades, a poluição das nascentes, dos rios, do ar, a poluição sonora, o desmatamento, acidentes de trabalho, de trânsito, falsas promessas de prosperidade, concentração privada da riqueza e distribuição pública dos prejuízos, criminalização dos movimentos sociais, descaracterização e desagregação sociocultural.

Por isso, nesta nossa XX Assembleia Nacional, denunciamos este desastre criminoso causado pelas companhias Vale e BHP Billiton (Samarco) e exigimos que o direito das famílias atingidas por esta catástrofe sejam garantidos.

Convocamos todos e todas a darem sua contribuição para a Campanha “SOS Mariana”, que está sendo lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB e Cáritas Brasileira, para que possamos, junto com a Igreja e os movimentos sociais da região, diminuir o sofrimento das famílias e lutar pela garantia dos direitos dos atingidos e atingidas por este desastre criminoso.

“É necessário unir o cordão, por isso vem (…)”

Brasília/DF, 15 de novembro de 2015

Rede Cáritas Brasileira, em sua XX Assembleia Nacional

Foto: Antônio Cruz/EBC

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