No sítio Cabaceiras, localizado no município de Canhotinho (PE), agricultores encontraram na organização comunitária uma forma de resgatar e preservar as sementes crioulas. A partir de muitas mãos, está em construção um Banco de Sementes Comunitário.

O interesse surgiu em 2014 quando participaram de um intercâmbio interestadual do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Na ocasião, eles tiveram a oportunidade de conhecer uma associação comunitária que também é guardiã de diversas sementes.

O Banco de Sementes Crioulas

No início, a vontade de ter um local para armazenar as sementes era a única coisa que os agricultores tinham. Isso foi o suficiente. Sem recurso para fazer a estrutura física do banco, optaram pela bioconstrução, técnica que tem por princípio a preocupação ecológica e diminui consideravelmente os gastos. O método foi sugerido pelos técnicos do Serviço de Tecnologia Alternativa (SERTA), parceiros da comunidade há algum tempo.

Todo processo de concepção do banco contou com a participação de todos e todas, desde a escolha da planta até o estágio de construção atual. Na ocasião, foram apresentados aos agricultores duas propostas de planta, que foram desenhadas no chão durante uma reunião do grupo e escolhida através de votação. A arquitetura do banco possui a forma de um sinal de “mais” e as extremidades arredondadas, para facilitar a organização das bombonas. As paredes estão sendo erguidas com tijolos produzidos pelo grupo, já os pneus velhos transformaram-se em janelas e garrafas de vidro nos cantos superiores das paredes permitirão que a iluminação natural entre no ambiente.

O Banco de Sementes Comunitário do Sítio Cabaceiras faz parte do Programa Sementes do Semiárido, da Articulação no Semiárido (ASA), atualmente executado pelo Centro Sabiá em parceria com a Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2, que contempla, além do município de Canhotinho, Angelim, Calçado, Jupi e São João.

De acordo com agricultor José Rufino Pereira, 28, um dos guardiões das sementes, o banco comunitário já é considerado uma conquista. “Tínhamos muitas espécies de sementes aqui na nossa região, mas com o passar do tempo perdemos muitas. Pela nossa mobilização já conseguimos identificar o feijão enxofre, que estava extinto por aqui. Guardar as sementes é devolvê-las às mãos dos agricultores e também uma forma de garantir vida saudável para as próximas gerações”, afirma.

Por Lidiane Santos/ Assessoria de Comunicação do Regional NE2

 

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