Meu nome é Santina Tereza de Oliveira Carvalho, 48 anos, nasci em Pedra, tenho 5 irmãs mulheres e 2 irmãos homens. Sou casada e tenho duas filhas, Fernanda,26 anos, e Andrielly 25 anos que nasceram em Arcoverde. Minha infância foi muito boa, tive um pai que se dedicava muito na questão da caridade e solidariedade. E muito do que sou hoje foi o que eu vivenciei com ele e isso me marcou muito. Na minha juventude, frequentei grupo de jovens, e servia ao próximo sem entender bem o que é, e, até hoje eu ainda não sei, faço porque precisa ser feito.

Em 1998 começaram as atividades no Sítio Angélica, em Buíque, eu morava em Arcoverde e havia passado em um concurso pra ser professora. Nunc a achei que seria uma professora na vida. Trabalhava em um supermercado e minha mãe foi o instrumento de Deus, em me guiar e realizar a inscrição do concurso. Passei e vir morar em Angélica. Quando assumi a escola e estava completamente abandonada e desativada, com alto índice de analfabetismo e baixa estima. Quando vi aquela situação de abandono abracei a causa , e mesmo sem entender o que estava fazendo, em meu coração só havia um coisa : o desejo em fazer algo. Reabri a escola , matriculei 150 crianças, divididas em duas turmas, manhã e tarde, pois só havia uma sala. E para fazer a diferença, às sextas-feiras levava um gravador, fazia de conta que sabia dançar forró para que eles pudessem interagir entre si. Até aquele dia eles nunca haviam dançado quadrilha , fizemos a primeira, e hoje já são dezesseis.

Observei que não adianta alfabetizar as crianças e os pais em casa serem analfabetos, foi aí que iniciei com o trabalho na Igreja, junto a Pastoral da Criança e começamos a dar aula aos pais na parte da noite, só a luz do lampião, despertando neles a vontade que podíamos tudo se trabalhássemos juntos. A partir de então as conquistas começaram a surgir. Primeiro o fogão, depois baixamos o alto índice de desnutrição na comunidade, a eletrificação, as cisternas e foi quando eu me engajei na Pastoral da Criança, e vi que nasci pra fazer isso e me dedicar a esse trabalho ao próximo. E como marco em nossa comunidade está a conquista da primeira água através da Cáritas Diocesana de Pesqueira, que nos permitiu reconhecermos como cidadão.

“O que é servir o próximo? Essa é a pergunta mais difícil, porque tudo que eu faço, eu faço porque acredito que deve ser feito. Quando existe alguém sofrendo, nós precisamos fazer o nosso papel no mundo, e servir pra mim é onde eu me sinto bem ,feliz e realizada. Servir é isso, é saber o que o outro está precisando, e você está ali para ajudar, esse povo estava esquecido do mundo, mas não de Deus e a dor deles eu tomei como uma dor pra mim e servir é isso.”

Personagem : Santina Tereza

Textos: Rosanny Barreto

Fotos : Rosanny Barreto

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