“Deus fica contente quando eu ajudo um irmão menor que eu. E isso para mim é servir a Deus”

Nasci e me criei em Buíque. Tenho 79 anos, meu nome de batismo é Maria José da Conceição, mas na escola haviam muitas “Marias José”, e a professora para diferenciar, começou a me chamar de Maria José Santana. Santana era o apelido da minha mãe. Então quando pequena fiquei conhecida com Maria José Santana. E adulta pela minha vivência na igreja fiquei conhecida como Santana de Buíque.

Sou filha de agricultores. Perdi meu pai aos 3 anos de idade .Estudei até a quarta série apenas, por que aqui em Buíque quem quisesse continuar os estudos teria que ir para outra cidade. Sou a caçula de oito irmãos, onde morreram seis. Casei, separei ,tive apenas um filho que tem 44 anos e mora em São Paulo.

A maior lembrança que tenho da minha infância é que foi muito feliz. Brincar na rua e ir à missa, são minhas maiores lembranças. Havia muita terra, pedras, poucas casas e muitas árvores, perto de minha casa. Lembro que as noites brincava de corre, e esconder. Brinquei muito de boneca mas como éramos muito pobre não tinha brinquedos, e fazia as minhas com sabugo de milho.

Frequentava a igreja a pedido de minha mãe, a missa era em Latim e o padre celebrava de costas. Não entendia uma palavra, mas ao chegar em casa tinha que repetir para a minha mãe pelo menos uma palavra que o padre havia falado , senão iria para o castigo. Mas estar na Igreja para mim, era tão bom, me deixava tão feliz, com tanto gosto e prazer que só vim entender tempos depois o que era essa sensação.

Como parei os estudos, chegou um momento que era preciso ajudar em casa. Aqui em Buíque só havia trabalho em casa de família, lavando e passando, ou no comércio onde trabalhavam apenas famílias. Como opção me tornei engomadeira. Então na adolescência aprendi a lavar e engomar roupa. O que nunca me deixou triste. Lavava, engomava, e cantava.

Acordava as quatro da manhã, às cinco botava goma na roupa, preparava a brasa para o ferro, que naquela época não era elétrico. E das cinco da manhã às cinco da tarde, passava roupa, e engomava de tudo calça de linho, camisas, coleção de lençóis bordados em richelieu e bramante. As cinco entregava a primeira remessa e após a entrega,voltava para casa preparava mais brasa no ferro ,e engomava mais roupas até às onze da noite. E assim eu vivi durante anos.

Em uma certa época, tive uma dor no braço direito, como os médicos não identificavam o que era, parei de engomar. Mas algo me deixava inquieta e não queria ficar sem fazer nada. Então comecei a frequentar de forma mais ativa as reuniões de catecismo, crisma e missas na Igreja. Foi então que descobri o motivo daquela sensação tão boa de em estar ali.

Lembro que sentava na primeira banca durante a missa e ficava admirando toda aquela organização e dizia para mim mesma: “Como eu queria fazer aquilo, deixar tudo arrumado, organizar os objetos ,mesmo sem saber seus nomes. Por no altar, deixar a toalha engomada, fazer as leituras, e até cantar se deixassem”. E por muito tempo era isso que queria fazer a Igreja. E foi onde tudo começou.

Prestava atenção nas leituras, decorava os nomes difíceis nas passagens bíblicas e aos poucos me convidaram para fazer a leitura, ajudar na organização das igrejas.Pela manhã fazia leitura em uma, a noite organizava intenções da missa e cantava em outra, e assim eu caminhei. Mas prazer maior era acompanhar os padres nas missas nos sítios, olhava o próximo e via como era esperado o momento da palavra de Deus, me dedicava mais na organização.

Nessa caminhada participei das reuniões para formação da Cáritas Paroquial em Buíque, e quando anunciaram a escolha do nome para Cáritas Paroquial Santana de Buíque.

Tudo que faço é por amor a Deus. Tenho prazer em servir a Igreja.E isso para mim é servir ao próximo. Hoje mesmo depois do AVC(acidente vascular cerebral),tenho o mesmo prazer em servir de quando comecei a minha caminhada na Igreja”.

Personagem : Santana de Buíque – Paroquiana Cáritas Paroquial Santana de Buíque

Por Fabiana Francelino | Cáritas Diocesana de Pesqueira

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