Conheça a história de uma agricultora que, a partir da cisterna-calçadão, descobriu que é possível se alimentar melhor, ter qualidade de vida e ainda economizar

 Essa é a história da agricultora Juleide de Lucena Monteiro, de 47 anos, que é casada com Silvano Monteiro da Silva, de 50 anos. O casal tem dois filhos: Jine Kácia de Lucena Monteiro, de 26 anos, e Jonas Carlos de Lucena Monteiro, de 22 anos. A família mora na comunidade Poços, no município de Terezinha e em 2014 foi contemplada com uma cisterna calçadão. “Houve uma mudança significativa a partir da cisterna, ou melhor, antes mesmo da gente tê-la em nosso terreiro de casa, porque durante as capacitações de Gestão de Água (Gapa) e de Sistemas Simplificados (Sisma) destinadas à produção de alimentos, eu já comecei a ver os benefícios que pequenas ações podem trazer. Tudo começou com as hortas candeeiros, que são pequenos cultivos que fazemos em garrafas de plástico e têm como objetivo aproveitar os espaços. Então eu comecei a plantar cebolinha e coentro e, como eles crescem rápido, em pouco tempo, nós já estávamos consumindo”, afirma.

Se os primeiros resultados já podiam ser vistos antes da cisterna calçadão ser construída, a conclusão da obra fortaleceu ainda mais o

Agricultora mostra a plantação de tomates ao redor da cisterna

conhecimento adquirido. “A partir do que eu aprendi nascapacitações, eu comecei a plantar. Lembro que eu ia para feira, comprava várias verduras e, quando eu chegava em casa, colocava-as no hipoclorito para fazer a higienização, porque sabemos que ali há veneno.

Hoje é diferente, a gente come cebola, coentro, tomate, alface, quiabo, tudo plantado ao redor da casa. Então, não é só a questão financeira que mudou, mas também na qualidade de vida. Está muito bom desse jeito, a gente come sem medo”, completa.

Nascida e criada na zona rural, muitas coisas vistas nas capacitações foram relembradas. “Eu já conhecia algumas coisas, mas eu nunca tinha tido essa força de vontade. A capacitação envolve a gente, desperta aquela coragem para colocar em prática, faz com que sintamos a necessidade de ver que podemos mudar nossa realidade”, conta.

Mas dona Juleide não está sozinha, ela conta com o apoio da família para realizar esse trabalho. “O meu filho me ajuda. Ele prepara a terra e eu planto, ele cultiva e eu molho e assim a gente vai cultivando. Se fosse apenas eu, não teria condições de cuidar. Continuaria apenas com as hortas candeeiros, que ficam próximas à casa e não pesam. Como eu tenho problemas na coluna, não posso trabalhar agachada, mas com a ajuda do meu filho e esposo foi possível ter uma horta maior e melhor”, comemora.

E é repassando o que aprendeu e fazendo com que outras pessoas despertem para esse trabalho que a agricultora afirma que a falta de tempo não é desculpa para quem quer trabalhar, pois ressalta que o importante é ter vontade para ver as coisas acontecerem. Além da produção vegetal, a família também investiu na criação de galinhas e tem planos de criar ovelhas, assim que construir uma estrutura para os animais, no terreiro de casa, com o caráter produtivo que acompanha a implementação hídrica.

Dona Juleide e seu Silvano

Por Lidiane Santos | Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira Regional NE2

Experiência relatada no O Candeeiro – Boletim Informativo do Programa Uma Terra e Duas Águas

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