O auditório da Faculdade Frassinetti do Recife, na região central da capital pernambucana, foi o local de encontro, nessa quarta-feira (27), de educadores, assistentes sociais, psicólogos, parceiros, gestores escolares e estudantes que se envolveram no projeto “Redução de Violência no Espaço Escolar através do Protagonismo Juvenil no Nordeste Brasileiro”. Eles se reuniram para o lançamento do manual “Violência no Espaço Escolar – uma proposta de intervenção”, organizado pela Cáritas Regional NE2 e outras quatro instituições.

De diversas formas, os jovens, durante o evento, demonstraram os resultados que já foram alcançados no projeto e um deles foi a música regional que recepcionou o público, ao som de instrumentos típicos, como as alfaias, muito usadas no Maracatu. Para conduzir o lançamento, foi escalado, como um dos mestres de cerimônia, o estudante Tales Anderson, da Escola São Francisco de Assis, localizada na periferia do Recife e acompanhada, nessa iniciativa, pela Cáritas Regional NE2. “Aprendi com a equipe da Cáritas que eu tenho valor, porque eu fui motivado para perceber o que eu tenho de melhor. Quem me conhece há mais tempo sabe o que eu era antes e o que sou hoje depois do projeto”, destacou.

A gestora da unidade escolar, Maíza Mota, confirmou a mudança de comportamento dele e de outros estudantes que, em meio às condições de vulnerabilidade que vivem, estavam sem perspectivas de vida de qualidade. “A Cáritas plantou no principal solo, o do coração. Deu a oportunidade para que eles mudassem”, afirmou. Ela ainda, junto com Tales, fez a leitura de uma passagem bíblica. “Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não gosto deles.” (Ecl 12,1).

Essa transformação do ambiente escolar foi possível também, segundo a coordenadora do Programa Infância, Adolescência e Juventude, Bibiana Santana, graças ao apoio do corpo docente e dos outros funcionários das escolas. “Nós tivemos a colaboração desses atores para que pudéssemos chegar às famílias, às comunidades que precisavam entender o projeto que propiciou o protagonismo desses jovens nas ações dentro e fora do ambiente escolar. Tanto que, em algumas atividades, como a avaliação de final de ano, os familiares e vizinhos estavam presentes”, considerou.

Na sua vez de falar com o público, Cléia Gonçalves, que está à frente da Escola Pedro Augusto, também do Recife, ressaltou que esse manual vai servir como referência para outros profissionais da educação. “No nosso caso, nós que fazemos a gestão também precisamos mudar o nosso jeito de lidar. Percebemos, logo no início do projeto, que era necessário ouvi-los, entende-los, para poder transformar a realidade”, disse.

O MANUAL

A publicação, organizada pela pedagoga Patrícia Santos, é fruto do projeto, iniciado há 3 anos e desenvolvido em 10 escolas públicas, sendo oito de Pernambuco e duas da Paraíba. A partir das experiências exitosas, foi elaborado um roteiro de processos que tem como objetivo, no desenvolvimento das ações, favorecer a inserção dos estudantes no seu próprio contexto, estimulando a pesquisa e a criação de iniciativas, que melhorem os vínculos com seu lugar (escola/comunidade) e com as pessoas que eles convivem.

Além da Cáritas Regional NE2, que atua em duas escolas da capital pernambucana, há também o envolvimento, nesse projeto, das organizações Ruas e Praças e Grupo Adolescer, ambas também em Recife (PE); Coletivo Mulher Vida, em Olinda (PE); e Serviço Pastoral do Migrante NE, em Bayeux (PB).

O projeto, bem como a publicação, contam com o apoio da Cáritas Alemã e da Cooperação Alemã.

Por Wagner Cesario | Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira – Regional NE2

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