O dia 18 de maio é referência no calendário de muitas instituições, como a Cáritas Regional NE2, por ser uma data importante na luta contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. E, nesse contexto, equipes do Programa Infância, Adolescência e Juventude (PIAJ) do Regional, no Recife (PE), da Ação Social Diocesana de Patos, na própria cidade paraibana, e da Cáritas Diocesana de Penedo, em Arapiraca (AL) se envolveram em várias atividades sobre o tema na última quarta-feira (18).

Na capital pernambucana, foi realizado um cine debate com estudantes de duas escolas da periferia da cidade, que já estão envolvidas no projeto “Redução de Violência no Espaço Escolar através do Protagonismo Juvenil no Nordeste Brasileiro”. Os educadores sociais apresentaram dados estatísticos, situações que podem configurar esse tipo de violação e as formas de prevenção e combate. À tarde, junto com outros jovens e militantes de mais de 20 instituições envolvidas nessa causa, eles se integraram à caminhada “Proteger é coisa nossa”, nas principais ruas do centro do Recife.

Representantes de entidades, como a Ação Social Diocesana de Patos, também mobilizaram uma caminhada pelas ruas da cidade paraibana de Patos, denunciando e alertando a sociedade para essa questão da violência sexual contra a criança e ao adolescente. Essa iniciativa se insere dentro do projeto “Movendo Cidadania”, realizado nas cidades de Patos e Matureia (PB), com apoio da Essor Brasil, associação de solidariedade internacional. Na oportunidade, a organização diocesana, que integra a Rede Cáritas Regional NE2, iniciou as celebrações pelos 60 anos de existência.

Em Arapiraca (AL), os educadores e jovens do projeto “Sementes da Cidadania” participaram de seminário, com autoridades, especialistas e técnicos, no auditório do Planetário e Casa da Ciência da cidade. Foram discutidas, na ocasião, ações concretas de sensibilização sobre a temática que, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, afeta mais de 100 mil crianças e adolescentes. Além do seminário, na cidade alagoana, foi realizado um ato público, com panfletagem e apresentação da banda “Força Jovem”, ligada ao Programa Infância, Adolescência e Juventude.

Segundo a coordenadora Regional do programa, Bibiana Santana, é preciso reconhecer que há muito a se fazer por essa situação das crianças e dos adolescentes, mas, com a união das forças, serão dados passos importantes. “Entendemos que, participando da Rede de instituições, desses espaços de diálogo, podemos reforçar a luta em prol dessa causa e também garantir visibilidade para as ações que a Cáritas Brasileira desenvolve, especialmente, para esse público mais vulnerável”, destacou.

Reconhecimento

A colaboradora da Cáritas Brasileira Regional NE2, Cibele Martins, recebeu, também por ocasião dessa data, a comenda Diga Não à Violência contra a Criança e ao Adolescente, da Faculdade Santa Maria, da cidade de Cajazeiras, no sertão paraibano. O reconhecimento, concedido por intermédio do curso de psicologia da instituição de ensino, refere-se ao trabalho nesse campo desenvolvido na cidade e região.

No dia, também foi ministrada uma oficina para estimular a consciência dos adolescentes em relação ao problema do abuso.

Data e denúncia

O sequestro da menina Araceli, de 8 anos, em 18 de maio de 1973, no Espírito Santo, terminou de forma trágica, com seu assassinato. O corpo dela apareceu carbonizado seis dias depois e os seus agressores, jovens de classe média alta, nunca foram punidos.

A data ficou instituída como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” a partir da aprovação da Lei Federal nº. 9.970/2000. O “Caso Araceli”, como ficou conhecido, ocorreu há mais de 40 anos, mas, os abusos ainda ocorrem. Segundo a Fundação Abrinq, apenas no ano de 2014, foram registradas 24.575 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Desses casos, 19.165 foram de abuso e 5.410 de exploração sexual infantil.

Além de estimular a prevenção, a partir da lei, foi criado um canal de denúncias que podem ser encaminhadas ao conselho tutelar, delegacias especializadas, polícias militar, federal, rodoviária ou, por meio do Disque Denúncia Nacional, ligando para o número 100.

Por Wagner Cesario | Assessoria de Comunicação da Cáritas Brasileira – Regional NE2

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