Um forte terremoto atingiu o centro da Itália na madrugada da última quarta-feira, dia 24 de agosto, causando grande destruição e a perda de vidas. De acordo com as primeiras informações divulgadas pela Defesa Civil italiana, pelo menos 73 pessoas morreram e há outras ainda presas aos escombros. O terremoto de magnitude 6,2 graus na escala Richter teve como epicentro Norcia, na região de Rieti, e afetou principalmente as cidades de Amatrice, Accumoli e Pesca del Tronto, entre outras. Como as áreas mais atingidas são cidades e vilarejos montanhosos do centro do país, as operações de resgate se tornam ainda mais difíceis.

“A situação é terrível”, disse dom Giovanni D’Ercole, bispo de Ascoli Piceno, que chegou logo depois do primeiro tremor na cidade de Pescara del Tronto. “O cenário é desolador. Quando cheguei pela manhã, vi uma cidade destruída, gritos, mortes… Não sabemos ao certo quantas, ainda. Estamos em uma situação desesperadora e, infelizmente, não é a única cidade atingida, porque outras estão na mesma situação. Em algumas regiões não conseguimos sequer chegar. Agora eu estou indo aos escombros para dar a Unção dos Enfermos a dois corpos de crianças. Os feridos são muitos. O complicado é que faz frio, o socorro demora para chegar, as estradas estão destruídas pelo terremoto. Está muito difícil”, desabafou, afirmando também que a Igreja está trabalhando junto com a Cáritas no socorro às pessoas atingidas.

Em mensagem dirigida a peregrinos na Praça de São Pedro, em Roma, durante a Audiência Geral desta quarta de manhã — poucas horas após o terremoto, portanto –, o Papa Francisco afirmou: “Havia preparado a catequese de hoje, como todas as quartas-feiras deste Ano da Misericórdia, sobre o tema da ‘proximidade de Jesus’. Mas, diante da notícia do terremoto, que atingiu o centro da Itália, devastando regiões inteiras e causando mortos e feridos, não posso deixar de expressar a minha grande dor e a minha proximidade espiritual para com os moradores nas zonas atingidas pelo terremoto”.

O pontífice lembrou comovido a destruição de Amatrice e a existência de muitas crianças entre os mortos. Depois de assegurar a todas as vítimas que “as orações e a estreita solidariedade de toda a Igreja” estarão com elas e de agradecer a todos os voluntários e agentes da Defesa Civil que trabalham no socorro às populações atingidas, Francisco fez um pedido: “Peço-lhes que se unam a mim, na oração, para que o Senhor Jesus, que sempre se comoveu diante da dor humana, console estes corações entristecidos e lhes dê a paz, por intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria”.

Conferência Episcopal Italiana

Imediatamente após a ocorrência do terremoto, a Igreja Católica italiana colocou à disposição cerca de 1 milhão de euros para atendimento às necessidades básicas mais urgentes das populações afetadas. Haverá também uma coleta nacional junto às paróquias e igrejas italianas no próximo dia 18 de setembro, cujos recursos serão destinados às vítimas do terremoto, de forma a apoiar os esforços de socorro realizados pela Cáritas Itália. “A Igreja na Itália está reunida em oração por todas as vítimas e manifesta a sua proximidade fraterna com as pessoas afetadas por este trágico acontecimento”, informou a Conferência Episcopal Italiana em um comunicado oficial, no qual convidou dioceses, paróquias, institutos religiosos e associações de leigos a ajudar as populações atingidas diante das condições difíceis que irão enfrentar nos próximos dias, semanas e meses.

Voluntários da Caritas em Rieti já começaram a distribuir alimentos, roupas e materiais de higiene à população, enquanto a Defesa Civil italiana procurando sobreviventes sob os escombros. Vinte solicitantes de refúgio abrigados em Monteprandone, na região de Marcas, todos provenientes do norte da África, se ofereceram para trabalhar como voluntários nas ações de socorro às vítimas. A Itália é um dos principais focos da crise migratória que afeta a Europa e responsável por resgatar todas as semanas dezenas de pessoas de embarcações superlotadas no mar Mediterrâneo.

Ameaça constante

Os terremotos são uma ameaça constante para as comunidades que vivem nas montanhas dos Apeninos, na Itália. Em abril de 2009, um tremor de terra em Abruzzo deixou quase 300 mortos e dezenas de milhares de desabrigados. Na ocasião, a Cáritas diocesana prestou socorro à população de Aquila com alimentos, roupas e outros itens essenciais. Após o socorro inicial à emergência, a Cáritas Itália passou a trabalhar pela reconstrução das comunidades afetadas, ajudando a construir casas e também espaços onde as pessoas pudessem se encontrar e se redescobrir.

A Cáritas italiana relata que está em contato constante com as Cáritas diocesanas e as paróquias das regiões atingidas pelo desastre desta quarta-feira. No momento, os/as agentes buscam ter uma visão global das necessidades e das primeiras atividades de solidariedade já colocadas em curso. Todos e todas, incluindo os bispos, saíram às ruas para ajudar a população afetada em termos práticos. Nas áreas mais atingidas, apenas as equipes de resgate, forças de emergência e agentes da Defesa Civil estão autorizados a entrar. Há risco de colapso das infraestruturas (estradas, pontes, etc.). A Cáritas italiana irá lançar uma campanha de arrecadação de recursos para as fases subsequentes de atendimento às vítimas (ações de emergência, de reconstrução e de desenvolvimento das comunidades afetadas).

A Cáritas Brasileira expressa sua solidariedade às famílias das vítimas, a todo o povo da Itália e aos irmãos e irmãs da Cáritas Italiana nesse momento de dor e sofrimento, e lança às pessoas afetadas pelo terremoto suas orações e pensamentos.

Por Luciano Gallas / Assessoria Nacional de Comunicação da Cáritas Brasileira, com informações da Caritas Internationalis, da Rádio Vaticano e de agências de notícias

Foto: Agência Italiana de Notícias (Ansa)

 

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