De 25 a 27 de agosto, ocorreu nas terras da Bahia o Inter Nordeste 2016, evento que reuniu representações das Cáritas Regionais (Ceará, Piauí, Maranhão, Nordeste 2 – Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Nordeste 3 – Bahia e Sergipe) do Nordeste e da diretoria nacional. O Inter é mais uma etapa preparatória para a construção do V Congresso Nacional da Cáritas Brasileira e foi marcado por reflexões, vivências e intercâmbios.

A acolhida foi embalada pela mística da presença da imagem da santa peregrina, Nossa Senhora Aparecida, e a expressão da nossa raiz, voz e identidade negra (nas dores da opressão e na resistência pela vida e justiça) pelos versos do grupo Ágape, da periferia de Salvador. Dando continuidade, foi feito um momento de diálogo a partir das falas do professor da UFBA, Nelson Oliveira, sobre as transformações do Nordeste no último século e as incertezas que se apresentam para a nossa região nesse momento de redefinições políticas, e de Regilvânia Mateus, da Cáritas Ceará, sobre as marcas e os desafios da conjuntura eclesial nordestina.

O encerramento do dia foi com a experiência na Comunidade ecumênica da Trindade, que acolhe moradores de rua e os ajudam a recuperar a sua identidade e autoestima. Os(as) participantes do Inter celebraram junto com essa comunidade, ouviram depoimentos de moradores de rua e partilharam o alimento. O sentimento coletivo foi de que a “Trindade é um ponto de luz e de apoio para os(a) que têm fome de pão e sede de justiça”.

Envolvidos(as) nas lembranças renovadoras das vivências na Comunidade da Trindade, os(as) participantes começaram o dia 26 com a apresentação de Mandela, atual diretor executivo da Cáritas Brasileira, sobre o Marco Estratégico da Cáritas Internacional e a sua relação com a temática central do V Congresso da Cáritas Brasileira – “Pastoralidade e transformação social”. Ele falou sobre a importância de tentar fazer esse alinhamento entre as prioridades estratégicas da Cáritas em âmbito internacional e nacional, considerando que as prioridades institucionais da Cáritas Brasileira estão em processo de reavaliação para os próximos cinco anos.

Dando continuidade ao evento, os(as) representantes de cada Regional se dividiram em grupos para aprofundar o debate das temáticas (juventudes, economia popular solidária, convivência com o semiárido e relações de gênero) selecionadas nas caravanas regionais. As reflexões foram socializadas na plenária e serão sistematizadas e levadas para o seminário nacional. Para Patrícia Amorim, atual secretária do Regional Ceará, foi possível perceber “o quanto se avançou no trabalho com as juventudes, percebendo a diversidade e pluralidade que são as juventudes, entendendo o papel da Cáritas na perspectiva de articulação dos jovens, para que eles façam seus caminhos e incidam nas políticas públicas”. Cleusa Alves, assessora da Cáritas Regional Nordeste 3, falou sobre o avanço e consolidação do projeto de Cáritas para a convivência com o semiárido, destacando que é um trabalho articulado com a rede ASA (Articulação Semiárido Brasileiro). Para ela, a Cáritas conseguiu nos últimos 4 anos definir o seu perfil de atuação para a convivência com semiárido, ressaltando os resultados positivos do planejamento decenal, da articulação das mulheres do semiárido e da Feira de Economia Solidária de Crateús.

O Inter foi um espaço de debate e também de vivências e intercâmbios, por isso, na tarde do segundo dia, os(as) participantes conheceram a experiência do Quilombo Rio dos Macacos, comunidade centenária remanescente de quilombolas, localizada na região metropolitana de Salvador/Ba, e que resiste há quase 200 anos em uma área onde a Marinha do Brasil instalou a Base Naval de Aratu na Bahia nos anos 70. Dois moradores da comunidade relataram as situações desafiadoras e de desrespeito aos seus direitos que enfrentam diariamente e as ações e estratégias de resistência, contando com o apoio de diversos movimentos e organizações sociais, como a Cáritas. Outro caso apresentado foi o de São Benedito dos Colocados, no Maranhão, que também passa por situações gravíssimas de violação e exceção. Ricarte Almeida, secretário da Cáritas Regional Maranhão, destaca que são “duas situações que nos preocupam muito e mostram o quanto a Cáritas é presente, é necessária e é desafiada“.

O último dia do Inter foi dedicado à avalição do plano quadrienal da Cáritas Brasileira a partir das prioridades, princípios e diretrizes institucionais, considerando o trabalho desenvolvido pelas Cáritas Regionais do Nordeste de 2012 a 2015. Os(as) agentes Cáritas se reuniram em grupos para fazer uma análise dos resultados alcançados ao longo desse período e também os desafios enfrentados para a execução do plano. Como as prioridades institucionais serão reavaliadas para os próximos cinco anos (2017 – 2021), as representações dos Regionais opinaram e apresentaram sugestões de alteração que serão sistematizadas e se juntarão às propostas dos outros Regionais para o V Congresso Nacional, que será realizado de 9 a 13 de novembro, em Aparecida-SP.

O balanço avaliativo das ações da Cáritas no último quadriênio, a partir do que foi refletido nesse encontro, segundo Mandela, foi de que “a ação da Cáritas contribuiu para a articulação das pastorais sociais; com o processo fortalecimento dos movimentos sociais e suas lutas; e também fez com que a Igreja se fizesse mais presente junto às comunidades empobrecidas, junto a aqueles e aquelas em processo de exclusão ou mesmo com seus direitos ameaçados e violados… Mas também ficam alguns e grandes desafios para o próximo período”.

Após esses intensos dias de atividades, o grupo se confraternizou e festejou a finalização de mais uma etapa rumo aos 60 anos da Cáritas Brasileira e também os 28 anos da Cáritas Regional Nordeste 3, que fez o lançamento da sua revista celebrativa.

Por Iasmin Santana / Comunicadora
– Regional NE 3

 

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