Agentes Cáritas de organizações membros e dos escritórios do Regional Nordeste 2, em Recife e Garanhuns (PE), desenvolveram várias atividades, no dia 7 de setembro, data que marca, além da Independência do Brasil, o dia do Grito dos Excluídos.

No território da Cáritas Diocesana de Palmeira dos Índios, no sertão de Alagoas, foram promovidas rodas de conversa nas comunidades Gavião de Baixo, Cabaceiros e Lajes, na zona rural do município-sede da diocese. Tomando como mote “Este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata!”, lema deste ano do Grito dos Excluídos que critica o capitalismo, as discussões giraram em torno dos temas: papel da mídia, direitos básicos, tipos de violências, função do Estado, participação política e mobilizações de rua. Os encaminhamentos dessas rodas de conversa serão levados ao Seminário do Grito, evento que será promovido no dia 27 deste mês.

Em Pesqueira, no agreste pernambucano, a mobilização ocorreu durante o desfile cívico da cidade, quando agentes da Cáritas Diocesana distribuíram a carta “Em vista das Eleições 2016”, escrita pelo bispo local, Dom José Luiz, que orienta os cidadãos quanto à importância do voto e à participação popular no destino das cidades.

Também na mesma região de Pernambuco, a equipe do escritório Regional NE2 se engajou na passeata do Grito dos Excluídos na cidade de Garanhuns. A atividade começou com Santa Missa, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, presidida pelo bispo diocesano Dom Paulo Jackson. “Quem participa de um dia de oração como este, é porque entende que não pode compactuar com um sistema que exclui, degrada e mata. O dia 7 de setembro não é para fazer folia, mas para dizer que cremos em Jesus Cristo, que pregou as bem-aventuranças. Que a fé nos alimente e a santa Eucaristia que vamos receber nos capacite para um mundo novo”, afirmou o bispo. Após a Celebração Eucarística, o povo caminhou até o Centro Cultural de Garanhuns, onde houve, por parte dos manifestantes, protestos contra os vários tipos de exclusão sofridos.

No Recife, onde fica o escritório da Cáritas Regional Nordeste 2, as equipes dos programas e colaboradores dos demais setores se juntaram às milhares de pessoas que atravessaram, em caminhada, a Avenida Conde da Boa Vista, uma das principais vias da cidade. Nessa atividade, também participaram cerca de 20 adolescentes e jovens que são acompanhados pelo Programa Infância, Adolescência e Juventudes, na capital pernambucana.

Para o secretário Regional, Angelo Zanré, faz parte da identidade da Cáritas Brasileira se envolver nesse tipo de mobilização que, no atual momento, tem um caráter significativo de luta a favor da garantia das conquistas sociais e dos direitos que ainda precisam ser alcançados. “Entendemos que a nossa participação foi positiva. Além de dar visibilidade à instituição, mostramos à sociedade a disposição para cumprirmos a missão junto aos marginalizados, que ainda tem sede de justiça”, salientou.

De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT – PE), participaram cerca de 20 mil pessoas na passeata do Recife. Nas reivindicações apresentadas pelos manifestantes destacavam-se a cassação do mandato do presidente da República, Michel Temer, e a realização de novas eleições diretas, antecipando o pleito de 2018.

PREPARAÇÃO AO GRITO

Antes das manifestações do Grito dos Excluídos, os colaboradores da Cáritas Brasileira Regional NE2 participaram de rodas de conversa, discutindo as diversas temáticas que envolviam o evento deste ano e, sobretudo, as realidades sócio-política brasileira e regional.

Na quinta-feira (1º), foi a vez do diálogo no Recife. Foram levantados, ao longo do debate, as várias demandas sociais que foram adquiridas a partir da mobilização e também as violações aos direitos humanos que ainda persistem na sociedade. Na ocasião, de forma simbólica, foi construído o varal da indignação, com camisas em papel que traziam pedidos, por exemplo, em favor da democracia e da justiça social.

Já na segunda-feira (5), as discussões ocorreram na cidade de Garanhuns, onde atua a equipe de Convivência com Semiárido. A partir disso, foram produzidos cartazes contra situações que tem impactado na vida das pessoas, como a poluição das águas, o uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura e a implantação da energia eólica.

E, na véspera do evento, dia 6, os jovens do projeto “Redução de Violência Juvenil através do Protagonismo Juvenil no Espaço Social Escolar e do Desenvolvimento Comunitário no Nordeste Brasileiro”, realizado pelo PIAJ, em dois bairros do Recife, conheceram o sentido e o histórico do Grito dos Excluídos, apresentaram as demandas sociais, como o combate ao racismo e ao extermínio de jovens, e produziram painéis e faixas, utilizados no dia seguinte.

Por Wagner Cesario / Assessoria de Comunicação – Regional NE 2

 Com informações e fotos de Bruna Fernandes, Lidiane Santos e Rosanny Barreto e Wagner Cesario

No related posts.