É com o tema “Caminhada de resistência e construção da convivência: ‘…pois é arte nordestina, transformar seca em poesia’”, que a ASA Pernambuco iniciou, na última terça-feira (4), no Stella Maris, em Triunfo (PE), o Encontro Estadual, com um público de agricultores/as familiares, técnicos/as, comunicadores/as e convidados/as, que ultrapassou a marca de cem pessoas.

Do Litoral ao Sertão, o Encontro, que vai até a próxima quinta-feira (06), acolhe participantes de todos os territórios, que aproveitaram a oportunidade para apresentar vários elementos regionais, como sementes crioulas, mandacarus, artesanatos, instrumentos musicais e até a réplica de uma casa com cisterna. Músicas e poesias também incrementaram o momento de boas-vindas.

Inicialmente, o coordenador da ASA Pernambuco, Alexandre Pires, falou da alegria em receber cada participante e também sobre o cuidado que a comissão organizadora teve com a preparação do evento. “Nós fizemos o possível para comprar os alimentos às famílias agricultoras da região, que serão consumidos nesses três dias”, disse. Em seguida, desejou um ótimo Encontro a todos e todas.

A programação do primeiro dia contou com a realização de uma mesa de abertura para analisar a atual conjuntura política do país. Antes de começar a discussão, o coordenador geral da ONG Caatinga, Giovanne Xenofonte, que foi o mediador da roda de diálogo, pediu para que alguém expressasse um pouco do sentimento em relação ao atual momento que o Brasil passa.

A quilombola Maria de Lourdes definiu o contexto como um retrocesso. “O atual presidente manchou o que chamamos de democracia. Aprendi que isso representava a vontade da maioria e, assim, fizemos, pois elegemos Dilma (Rousseff), mas o nosso desejo não foi respeitado. Outra coisa que me deixa triste é ver que muitos direitos, que foram conquistados por nós, estão sendo ameaçados e outros tantos já foram cortados”, explicou.  Em seguida, a mesa teve início com a participação de uma das representantes da Colegiada do CETRA, Cristina Nascimento, e do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em Pernambuco, Jaime Amorim.

Amorim explicou que o processo eleitoral vive de ciclos e que, o momento atual, trata-se da finalização de um destes períodos. “Mais do que a conclusão de uma fase eleitoral, encerra-se também um ciclo de desenvolvimento, que impacta no âmbito da economia, com o desemprego; na educação, em políticas públicas como o FIES e o PROUNI; na agricultura familiar, com os cortes de recursos para o Garantia Safra, por exemplo, e em tantos outros fatores. Daqui para frente, nós vamos viver um desmonte de direitos conquistados, algo que representa um retrocesso de 50 anos”, alertou.

Apesar disso, ele ressaltou outras coisas que merecem atenção e ação. “Não podemos ficar tristes por isso. Essa é a hora do povo ir para às ruas. Os brasileiros e brasileiras vão resistir ao golpe. Está chegando um novo ciclo político que vai depender, acima de tudo, do nosso poder de mobilização”, concluiu.

Após este momento, foi a vez de Cristina Nascimento refletir sobre a postura diante desse contexto. “Precisamos ter clareza de quem somos, de onde estamos e do que queremos. Quando pensamos a partir das nossas conquistas, da ideologia dos movimentos sociais, pensamos, também, diferente da Rede Globo. Precisamos ter consciência do nosso poder enquanto cidadãos, pois o que está ameaçado não é a cisterna, mas a nossa luta por direitos”, disse.

Após as falas dos convidados, foram abertas as inscrições para questionários e comentários dos participantes.

Por Lidiane Santos | Assessoria de Comunicação do Regional NE2 

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