O segundo dia do V Congresso Nacional da Cáritas Brasileira teve intensa programação de painéis temáticos. No período da tarde desta quinta-feira, dia 10 de novembro, Plínio de Arruda Sampaio Júnior, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Roberta Traspadini, militante social e professora da Universidade Federal da Integração Latino-americana do Paraná (Unila), colocaram a Rede Cáritas Brasileira para refletir sobre a conjuntura socioeconômica, política e cultural do país.

Tentar compreender a complexidade e gravidade do momento histórico em que nos encontramos foi o ponto de partida para as análises. Sem esse conhecimento, ambos acreditam que não será possível concretizar saídas. Plínio de Arruda Jr. discorreu sobre as características específicas dessa fase de crise do capitalismo, apontando o seu aspecto estrutural, sobre o qual se instala mais uma crise econômica de grandes proporções, e os seus efeitos sobre o povo. Roberta Traspadini atentou para que possamos compreender esta realidade de crise em sua processualidade, não somente sobre o seu aspecto temporal.

Ambos frisaram a importância de se pensar esse contexto enquanto América Latina, localizando o papel do continente dentro do projeto do capital. “Estão transformando a América Latina e o Brasil numa mega feitoria moderna. E o trabalho que corresponde a uma neocolônia é o trabalho neoescravo, precarizado e sem direitos”, afirmou Plínio. Diante disso, ele e ela defendem que nossas lutas precisam estar integradas no plano latino-americano e internacional, pois sem essa conexão a luta social será impraticável. Nesta linha, Traspadini evidenciou grandes figuras políticas – tais como Martí, Mariátegui e Che Guevara – que nos ensinaram, por suas histórias de vida, que a luta se dá onde quer que se esteja, e nos convoca a recuperá-los.

Dialogando com as contribuições e inquietações das/os participantes, o e a painelista identificaram forças sociais desestruturadas pelo modelo desenvolvimentista, como a noção de território, a defesa dos ideais socialistas e a identificação com o outro. Traspadini disse que “o NÓS precisa exageradamente ser recuperado”, se quisermos construir bases reais para a transformação social. “Precisamos resgatar as nossas bandeiras, que são as bandeiras do socialismo, da igualdade substantiva, da cooperação, da solidariedade”, completou.

Para Plínio, também é preciso refletir com o povo que programa será capaz de reorganizá-lo. “Essa é a conversa séria que a gente precisa fazer fora deste salão. Para que sejamos fermento da revolução que o povo fará eclodir”, concluiu. Diante das indagações do papel da Cáritas nesse contexto, Plínio sugeriu que possamos contribuir com essa missão, levando o debate para as comunidades e fomentando-o permanentemente. O desafio está dado.

Por Rede de Comunicadores e Comunicadoras da Cáritas Brasileira
Reportagem: Raquel Dantas
Foto: Francielle Oliveira

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