O V Congresso Nacional da Cáritas Brasileira, que está ocorrendo no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, reservou espaço para os debates sobre o tema do encontro, Pastoralidade e Transformação Social, em um painel com representantes dos inter-regionais da Cáritas, com a pastora metodista, teóloga e filósofa Nancy Cardoso e com o teólogo, filósofo e cientista social Ivo Poletto. Nancy e Ivo são os autores do texto de referência que guiou a preparação ao congresso e as reflexões feitas durante a caminhada.

“A questão da pastoralidade já está colocada. Mas dizer que somos centrados na figura de Jesus Cristo não basta. Uma coisa nos falta: a radicalidade do Evangelho de Jesus. Preocupar-se com a sua condição de indivíduo, com a sua família e com a sua comunidade mais imediata não é o suficiente. Podemos ser bons vizinhos, mas algo ainda nos faltará”, declarou Nancy durante sua fala no painel. “Os mecanismos de concentração de propriedade passam por nós, por nossas comunidades. Foi o modelo colonial que criou a desigualdade”, continuou ela.

Para Nancy, o Cristianismo está em disputa. “A Teologia da Prosperidade vigora hoje, com seus modelos pessoais, familiares, comunitários imediatos. Mas nós entendemos a radicalidade do Evangelho de Jesus: Ele deslocava a centralidade da ação para o serviço, não para si próprio”, enfatizou. “Eles dizem que a gente não é pastoral, que a Cáritas é outra coisa. Desculpem, vocês são outra coisa. Vocês estão recortando o Evangelho de Jesus, retirando sua radicalidade, e adotando modelos comprometidos com a propriedade privada e a concentração de riqueza”, ponderou.

Ivo seguiu a mesma linha crítica de análise. Para ele, o bom pastor é aquele que “enfrenta os lobos e dá a vida pelas ovelhas”. “O Reino de Deus é o reino que Deus almeja construir com toda a humanidade. Quem ficou para trás? Quem está à margem? Quem não teve oportunidade? O bom pastor vai atrás destas pessoas. Sai, vai ao encontro e volta com elas”, ponderou.

O painelista reconhece que o retorno de quem ficou para trás provoca tensões. Por isso, é preciso também transformar quem ficou, para que estes possam receber bem quem volta para junto do grupo original. “Precisamos resistir às tentações de domínio, controle e segredos para construirmos esta profunda experiência de humanização e socialização que é o Reino de Deus. Querem seguir Jesus de fato? Juntem-se aos pobres. Precisamos superar isso tudo para de fato sermos uma humanidade libertada”, afirmou Ivo.

 Por Rede de Comunicadores e Comunicadoras da Cáritas Brasileira

Reportagem: Luciano Gallas

Foto: Francielle Oliveira

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