Na perspectiva de mobilizar os trabalhadores para a Greve Geral, na próxima sexta-feira (28), contra as reformas previdenciária e trabalhista, circulam, nas redes sociais, mensagens do arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, do arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, do bispo de Caicó, Dom Antônio Carlos Cruz, e do bispo de Campina Grande, Dom Manoel Delson, nomeado recentemente pelo Papa Francisco como arcebispo para a Arquidiocese da Paraíba. Eles entendem que a adesão e participação nas manifestações serão formas de se posicionar publicamente contra a possibilidade de retirada de direitos previdenciários e trabalhistas.

As medidas do governo, rejeitadas também por centrais sindicais e outras organizações da sociedade civil, segundo os bispos, não estão sendo discutidas com os trabalhadores que irão ser alcançados pelas mudanças. Para dom Saburido, as iniciativas do Poder Executivo, em tramitação no Congresso Nacional, vão atingir a classe trabalhadora que, por sua vez, “não pode permitir que os direitos arduamente conquistados com intensa participação democrática sejam retirados”. Dom Delson, na mensagem, também destaca que as medidas ferem a Constituição de 1988, que garantiu os frutos das lutas dos trabalhadores.

Eles ainda acreditam que as novas regras, propostas nas reformas, vão afetar a maioria da classe trabalhadora, mantendo uma minoria com privilégios. “Não podemos concordar com propostas que atinjam apenas os trabalhadores assalariados do Brasil, que pagam seus impostos, enquanto outras categorias privilegiadas com altos salários não serão afetadas com as reformas trabalhista e previdenciária que estão sendo propostas. Por isso, convoco todo o povo a comparecer na manifestação e erguer a voz em seu nome, das gerações futuras e dos milhões de trabalhadores desempregados”, concluiu o arcebispo de Olinda e Recife.

Nas mensagens, os bispos citaram textos bíblicos para justificar a importância do envolvimento dos fiéis nas mobilizações. Dom Jaime Vieira usou trechos dos livros de Miqueias e de Tiago para falar das injustiças que são causadas ao povo de Deus pelos governantes. Já Dom Antônio Carlos, relacionou, a partir do Evangelho de João, a situação de Jesus crucificado a de tantos homens e mulheres que sofrem com a falta de direitos e morrem. “Nós que temos os olhos fixos naquele que foi transpassado, Jesus Cristo, temos que ter os olhos fixos nos transpassados da história. Por isso, não podemos nos omitir”, disse o bispo de Caicó.

No início do mês, os bispos da província Eclesiástica do Rio Grande do Norte já haviam se manifestado contra a Proposta da Reforma da Previdência.

CNBB

As reformas da previdência e trabalhistas têm sido temas de manifestações do episcopado brasileiro há, pelo menos, dois meses. Em março deste ano, a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já havia divulgado uma nota sobre a iniciativa do governo em relação à previdência. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente da entidade, os bispos elencam alguns pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, considerando que a mesma “escolhe o caminho da exclusão social” e convocam os cristãos e pessoas de boa vontade “a se mobilizarem para buscar o melhor para o povo brasileiro, principalmente os mais fragilizados”.

No último dia 19, a CNBB, Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho Federal de Economia emitiram um documento conjunto. No texto, as entidades afirmam que “os valores ético-sociais e solidários são imprescindíveis na busca de solução para a Previdência”.

 Por Wagner Cesario | Assessoria de Comunicação do Regional NE2

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