A Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2 realizou, entre os dias 28 e 29 de abril, no Centro de Treinamento Diocesano, em Patos (PB), um Seminário de Apresentação e Validação dos Planos de Gestão Participativa, Contábil e de Negócios do Projeto Cataforte 3. O objetivo do evento foi promover a discussão acerca da importância do trabalho em conjunto e, a partir disso, iniciar o processo de formalização da Rede Cata PB, que reúne mais de 170 catadores associados, distribuídos em 14 empreendimentos assessorados.

O secretário regional da Cáritas Nordeste 2, Angelo Zanré, deu as boas-vindas ao público e, em seguida, a agente Cáritas da Diocese de Caicó, Paula Salmana, apresentou três experiências exitosas realizadas no estado do Rio Grande do Norte. São elas: a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Caicó (Ascamarca), Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Parelhas (Ascamarpa) e Cooperativa de Currais Novos (Coopernovos).

A articuladora regional Márcia Medeiros explicou a importância do Plano de Gestão Participativa, que tem como objetivo desenvolver a Rede de forma integrada. De acordo com ela, o Cataforte quer que os catadores e catadoras construam sua própria independência. Já o Plano Contábil, apresentado por Valquíria Oliveira, abordou os requisitos que uma organização precisa atender para ficar legalizada.

No dia seguinte, Rodrigo Silva, que também integra a base de serviço do projeto, apresentou elementos para a construção do Plano de Negócios. Segundo ele, pontos essenciais devem ser levados em consideração, como por exemplo, a compreensão do atual contexto de mercado, a identificação de potenciais clientes, a identificação e análise de forças competitivas, a utilização do marketing como uma estratégia e o alcance de novas parcerias.

A catadora Dalvanira de Melo relembra um passado não tão distante e relata as dificuldades que quem trabalha no ramo enfrentou. “Antes nós não éramos conhecidos em lugar nenhum, vivíamos abrindo sacola, faça sol ou faça chuva, éramos de porta em porta, sem nenhum apoio de Rede, como hoje estamos compreendendo. Atualmente, estamos muito felizes, porque éramos soltos, nossos materiais não tinham valor no comércio e hoje estamos conhecendo o que é uma rede. A rede é muito importante para os catadores, se organizarem. E nós, agora, juntos com vocês é que vamos fortalecer mais, vamos formar o estatuto da Rede, vamos vender em rede, para nos fortalecer e ganhar mais.

Para o catador Kelson Santos, nos últimos anos a causa em favor desses trabalhadores ganhou novos aliados e o cenário começa a mudar para melhor. “Ocorreu uma transformação na forma como nós, catadores, somos olhados pela sociedade. Não se conseguia dar o valor necessário para aquela pessoa que trabalhava com tanto sacrifício. Antes, éramos vistos como aqueles que estavam às margens da sociedade, mas, hoje, somos vistos como agentes ambientais. E tudo isso só é possível através da nossa luta e da nossa parceria com professores e a Cáritas”, afirmou.

De acordo com o representante do Cataforte, Tiago Vilaronga, a realização do Seminário atendeu as expectativas e possibilitou um maior empoderamento aos catadores para seguir com o trabalho. “A gente verifica que o processo avançou bastante na base de serviços, conseguiu ter a dimensão do projeto e juntamente com os catadores, construímos os produtos e nessa nova fase, agora, eles vão fazer as implantações que a rede possa ter efetividade e fazer a comercialização conjunta de materiais e beneficiando cada catador de cada empreendimento. Eles estão conseguindo através da Rede Cata PB potencializar os empreendimentos para que comercializem conjuntamente seus materiais”, avaliou.

Segundo Márcia, a realização do Seminário configurou não apenas um processo coletivo, mas também marca um período de transformação na vida dos catadores. Para o também agente Cáritas Alexandre Oliveira, que acompanha o projeto no Regional Nordeste 2, o Seminário ampliou as visões dos empreendimentos. “Agora, a formalização da rede é o próximo passo e, além de melhorar o valor de revenda do material deles, será possível a troca de informações em tempo real. Então, com certeza, o trabalho em rede vai melhorar a vida dele, inclusive na forma financeira”, concluiu.

O PROJETO – O “Cataforte – Negócios Sustentáveis em Redes Solidárias da Rede Cata-PB” faz parte do projeto nacional, articulado pelo Comitê Interministerial para Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis (CIISC), com o objetivo de estruturar redes de cooperação constituídas por cooperativas e associações de catadores. Além disso, prevê o fortalecimento de processos produtivos e gerenciais da Rede Cata PB, visando promover oportunidades de avanços na cadeia produtiva dos recicláveis e na prestação de serviço de coleta seletiva e de logística reversa, por meio de serviços de apoio, consultoria, assessoramento técnico e nivelamento da infraestrutura dos empreendimentos. As atividades do projeto, que é executado pela Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2, iniciaram em março de 2015 e tem previsão de conclusão para setembro de 2017.

Por Lidiane Santos | Assessoria de Comunicação do Regional NE2

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