Maio é o mês dedicado a sensibilizar e chamar a atenção da sociedade para o engajamento contra a prática de violação dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. Para marcar as diversas iniciativas que acontecem em todo país, foi instituído pela Lei Federal 9.970/00, o dia 18 de maio, como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Em 2016, Pernambuco registrou 1.415 casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, os dados são da Secretaria de Defesa Social (SDS). Mas, esses números podem ser ainda maiores, porque nem todos os casos são denunciados e registrados. O cenário nacional apresenta um panorama bem mais assustador, ou seja, estima-se que esses números cheguem a 100 mil casos, todos os anos, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Diante desta realidade, no mínimo, alarmante, a Cáritas Brasileira Regional Nordeste 2, por meio do Programa Infância, Adolescência e Juventudes (PIAJ) vem, efetivamente, garantindo sua participação na Rede Estadual de Enfrentamento. E, a partir de ações articuladas em rede, com apoio do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Conselho Tutelar, Departamento de Polícia da Criança e Adolescente (DPCA) e organizações da sociedade civil, várias iniciativas foram planejadas e estão sendo colocadas em prática, neste mês de maio.

Campanha

Entre as atividades estão o lançamento da campanha Crianças e Adolescentes Livres de Todo Tipo de Violência Sexual, que ocorreu no dia 04 de maio, e tem como objetivo a prevenção e o enfrentamento da violência sexual no estado de Pernambuco. A campanha foi divulgada em diversos meios de comunicação, com a proposta de pautar a mídia e engajar outros atores sociais nessa luta. Além disso, também foram realizadas oficinas temáticas abertas à sociedade.

Caminhada

Com o objetivo de alertar a população e ampliar a discussão para além do âmbito da Rede, diversas organizações sociais, representantes do governo e da sociedade civil, e uma representação significativa do público infanto-juvenil se uniram para ir às ruas participar da “Caminhada Crianças e Adolescentes Livres de Todo Tipo de Violência Sexual”. A atividade foi realizada na última quinta-feira (18), no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A concentração ocorreu no Parque 13 de Maio. De lá, segurando cartazes, faixas e bandeiras, os participantes seguiram em caminhada ao som de palavras de ordem, que ecoaram pelas ruas Princesa Isabel, do Sol e Avenida Guararapes. O encerramento foi no Pátio do Carmo, no Centro do Recife.

Cerca de 15 alunos, entre adolescentes e jovens, de duas escolas públicas, acompanhadas pelo PIAJ, por meio do projeto Redução de Violência no Espaço Escolar através do Protagonismo Juvenil no Nordeste Brasileiro, se uniram aos demais para participar da caminhada. Para a estudante Maria Emilly, 15 anos, a iniciativa visa conscientizar as pessoas sobre a questão do abuso que, na opinião dela, não é simples, mas algo muito sério, e precisa ser tratado, não apenas no dia 18 de maio, mas sempre.

Quem também participou da caminhada foi Rinaldo Gomes, 22 anos, morador de Chão de Estrelas, comunidade da Zona Norte do Recife, ex-aluno da Escola Estadual Pedro Augusto Carneiro Leão, e voluntário no Núcleo de Mediação de Conflitos, que funciona no bairro do Fundão e é assessorado pela equipe do PIAJ. Para ele, as questões relacionadas à violência sexual contra crianças e adolescentes, não são discutidas abertamente nas redes sociais, tampouco em rodas de diálogos entre os jovens. “Mas, muitas vezes, esse é um problema muito frequente em nossas comunidades, e até dentro da nossa casa”, explicou.

Ainda segundo ele, “a importância de participar de momentos como esses, é a possibilidade de sair às ruas e reivindicar uma mudança, chamar a atenção da sociedade para o problema e falar sobre esse tema que muitas vezes não é abordado nos nossos meios sociais”, enfatizou.

“Temos a missão de levar para as comunidades essa discussão em relação ao abuso e exploração sexual. Na maioria das vezes, o aliciador está dentro da nossa própria casa, ou é uma pessoa muito próxima da família. É preciso levar essa discussão até o jovem e, enquanto multiplicadores, conscientizar e engajar outras pessoas para enfrentar esse tipo de situação”, ressaltou a assessora regional do PIAJ, Bibiana Santana.

Por Kilma Ferreira | Assessoria de Comunicação do Regional NE2

 

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